Equipes de televisão são ameaçadas e expulsas do local da maior chacina...

Equipes de televisão são ameaçadas e expulsas do local da maior chacina do Ceará.

306
Calçados deixados pelas vítimas da chacina em Cajazeiras.

O ano de 2018 começou violento para a população cearense e também para os jornalistas que, no atual contexto do recrudescimento da crise na segurança pública, enfrentam dificuldades para exercer a profissão. O Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) registra, já em janeiro, pelo menos quatro episódios de violência contra repórteres e equipes de jornalismo. Em 2017, foram sete casos.

As equipes de reportagem das TVs Verdes Mares (afiliada da Globo), TV Cidade (Record) e NordesTV (Band) foram expulsas do bairro Cajazeiras, em Fortaleza, no dia 27 de janeiro, quando tentavam cobrir os desdobramentos da maior chacina já ocorrida no Estado, quando morreram 14 pessoas que participavam de uma festa num clube de forró. Ao se dirigirem ao local, por volta de 7h de sábado, momento em que não havia equipes de policiais, os jornalistas foram ameaçados por homens em motocicletas que, com os braços na cintura, faziam menção de estar pegando em armas.

As equipes, compostas pelos profissionais Lívia Baral e Adauto Alves, da Verdes Mares, Patricia Castro, Sérgio Queiroz e o motorista Deco Almeida, da TV Cidade, e  Clarissa Capistrano e Rafael Augusto, da NordesTV, deixaram o local.

No dia 20 de janeiro, a repórter Jéssica Sisnando, do jornal O Povo, quase foi apedrejada quando entrevistava integrantes do grupo fascista Carecas do Brasil Ceará, na Praça da Igreja Redonda, na Parquelândia. A jornalista estava sem equipe (repórter fotográfico e motorista) e, por pouco, não foi atingida por pedras arremessadas por homens que chegaram em três motocicletas. Os alvos eram os entrevistados.

“No momento da entrevista ao O Povo, um homem chegou em uma motocicleta, com uma criança no colo, intimidou os Carecas e foi embora. Em seguida, voltou com mais três pessoas e os apedrejamentos contra o grupo iniciaram. Um integrantes dos Carecas sofreu lesão na cabeça, foi atendido em uma farmácia e levado a um hospital”, relata a matéria do próprio jornal.

Para a diretoria do Sindjorce, as situações  descritas evidenciam a necessidade de maior preparação das equipes de Jornalismo e, sobretudo, a criação de comissões de segurança nas redações, para avaliar os riscos de cada cobertura. As comissões de segurança, a adoção de Equipamentos de Proteção Individual (para coberturas de conflitos) e a oferta de treinamento constam na Notificação Recomendatória emitida às empresas jornalísticas pelo Ministério Público do Trabalho do Ceará (MPT) em 2014.

“Temos batido nessa tecla desde 2013: nenhuma pauta vale a vida do jornalista. É um absurdo, por exemplo, o fato de as empresas, muitas vezes, mandarem estagiários cobrirem áreas de conflito, manifestações, pautas policiais. Em outros casos, o repórter vai sozinho, sem motorista ou repórter fotográfico que dê suporte”, avalia o diretor de Ação Sindical, Evilázio Bezerra. “Todas as situações se agravam num ambiente de crise no sistema de segurança pública”, pontua ele, que também é diretor do Departamento de Imagem da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Fonte: Sindicato dos Jornalistas do Ceará.

Foto: Evilázio Bezerra/O Povo

Artigos Relacionados