Jornalistas e especialistas debatem assédio no ambiente de trabalho

Jornalistas e especialistas debatem assédio no ambiente de trabalho

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“Sou dependente de álcool e ficou crônico depois do que aconteceu comigo em 2015”. O corajoso depoimento do jornalista Ricardo França, que chegou a ser internado em clínicas psiquiátricas e hoje sofre com depressão e bipolaridade, mostrou como o assédio moral pode afetar a carreira de um profissional. Outra que vivenciou o problema foi a jornalista, hoje psicanalista, Sandra Teixeira, que relembrou desse doloroso período. As declarações dos colegas da imprensa foram dadas na quinta-feira, 30, no evento SuperAção, que debateu o assédio moral e sexual sofrido nas redações e assessorias de imprensa.

Promovido pelo site Vida & Ação, em parceria com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), a rede Reinventar JornalistasRJ e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o tema foi debatido pelo psiquiatra Jorge Jaber, a pranaterapeuta Marta Cavalcanti e a jornalista Karen Terahata Alvarez, do Blog Sem Transtorno. O assédio sob a ótica legal foi enfatizado pelo do juiz do trabalho André Villela.

Para a jornalista e diretoria do SJPMRJ, Sonia Fassini, muitos ainda têm receio em denunciar os abusos. Um exemplo de que essa prática acontece em todo o mundo está refletido na pesquisa recém divulgada pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). O levantamento, junto a 400 mulheres jornalistas de 50 países, revela que uma em cada duas mulheres jornalistas sofreu assédio sexual, abuso psicológico, assédio online e outras formas de violência de gênero enquanto trabalhava. E apontou que a maioria das redações ou locais de trabalho não possui uma política escrita para combater esse tipo de abuso ou fornecer um mecanismo para informar sobre eles.

O juiz do trabalho André Villela reforçou pesquisa da FIJ. De acordo com ele, o assédio moral é uma epidemia mundial e em 99% dos casos acontecem com as mulheres. Para o psiquiatra Jorge Jaber, o mercado da comunicação é marcado pelo machismo.

O Sindicato mantém um canal para denúncias anônimas.

Mais informações aqui.

Fonte: SJPMRJ