Trump faltou ao encontro com a imprensa

Trump faltou ao encontro com a imprensa

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O presidente dos Estados Unidos Donald Trump não compareceu ao encontro anual de jornalistas que cobrem a Casa Branca (White House Correspondents’ Association Dinner), cuja sigla em Inglês é WHCA, ocorrido no último sábado de abril (29), e não se pode dizer que os profissionais da mídia ali presentes tenham particularmente lamentado a ausência do republicano. Na verdade, eles enfatizaram em seus discursos que a razão de ser do evento é basicamente celebrar a relação cordial do presidente com a imprensa, a democracia e o cumprimento à Primeira Emenda da Constituição norte-americana, que garante a liberdade de expressão.

Trump foi o primeiro presidente a faltar ao jantar da WHCA em mais de três décadas e para justificar sua ausência a porta-voz presidencial Sarah Huckabee Sanders alegou em um comunicado que Trump não foi eleito para participar de eventos com repórteres e celebridades. Obama, por seu turno, sempre prestigiou o encontro em seus oito anos de mandato.

A despeito do tom politicamente correto reinante, o que se viu durante a cerimônia da WHCA foi uma enxurrada de críticas à administração Trump; não sem uma boa pitada de humor.

Em um telão exibido na solenidade, o historiador presidencial Michael Beschloss afirmou que quando a imprensa confronta o governo significa que o sistema funciona a contento no contexto da democracia.

Depoimentos antigos de ex-presidentes explicando a sua relação com a imprensa também foram exibidos. No telão, desfilaram Richard Nixon, Ronald Reagan, Bill Clinton, George W. Bush e Barak Obama. Bush, por sinal, quando ainda presidente, disse na gravação que nem sempre a imprensa gostava das decisões que ele tomava e que ele nem sempre gostava da abordagem da imprensa sobre tais decisões, mas que a convivência entre ambos no final das contas era pacífica.

Trump, no entanto, parece discordar da opinião de Beschloss e da de Bush. Caso contrário, não teria protagonizado o lamentável episódio da proibição feita a alguns veículos de comunicação de participarem dos briefings na Casa Branca. Entre os veículos barrados encontravam-se a CNN, a BBC, o The New York Times e o Politico. De fato, Trump amiúde classifica a imprensa de “inimiga do povo”. 

Watergate

Os jornalistas investigativos Carl Bernstein e Bob Woodward participaram da celebração e, obviamente, falaram de todo o processo que culminou na renúncia do republicano Richard Nixon, em 1974, no escândalo que ficou conhecido como “Watergate”, quando então eram repórteres do The

Washington Post. A dupla disse no jantar da WHCA ser imprescindível ao exercício do jornalismo perseguir a todo custo a melhor versão possível dos fatos quando de sua apuração. Essa foi, segundo Bernstein, a metodologia de trabalho usada por eles na cobertura que posteriormente lhes rendeu um Prêmio Pulitzer. Referindo-se ao momento político atual, Bernstein acrescentou: “Somos repórteres, não juízes, nem legisladores. Aquilo que o governo ou os cidadãos ou os juízes fazem com as informações que fornecemos não é pertinente à nossa tarefa nem o nosso objetivo. Nossa missão é publicar a melhor versão possível da verdade. Ponto. Especialmente agora”.

Já Woodward, em um recado diretamente endereçado a Trump, declarou que a imprensa não é “fake news” (notícias falsas), como o presidente insistentemente continua a afirmar. Citando uma frase de Ben Bradlee, já falecido, ex-presidente do The Washington Post, ele lembrou que “Quanto mais a imprensa busca ferozmente a verdade, mais algumas pessoas sentem-se ofendidas pela imprensa”. Woodward disse ainda que ele e o amigo Carl são pais, avós e quiçá bisavós de diversas gerações de jornalistas.

Nesse contexto, não deixa de ser interessante notar que Trump e Kellyanne Conway, sua então coordenadora de campanha e atual conselheira da Casa Branca, contudo, parecem ir na contramão daquilo afirmado pelo renomado jornalista; preferindo rezar pela cartilha dos “fatos alterativos”.

O tom cômico da noite ficou por conta do comediante Hasan Minhaj, de descendência indiana, que brincou com o fato de ser mulçumano e de estar ali justamente entretendo jornalistas e fazendo troça do presidente que não gosta de mulçumanos e que ainda não desistiu da ideia de bani-los do país. Minhaj arrancou gargalhadas da plateia com suas piadas ácidas.

Concidentemente, naquela data, Trump completava exatos cem dias no poder. Chegou ao centésimo dia, entretanto, com um dos piores índices de popularidade dentre os presidentes dos Estados Unidos em início de mandato. Das 38 promessas feitas por Trump a serem cumpridas em seus 100 primeiros dias de governo somente dez delas foram efetivamente levadas a cabo; perfazendo um total de 26,3%. 

Língua afiada

As críticas chovem e Trump segue arrogantemente, atropelando o protocolo e cometendo gafes, como a que ocorreu em fevereiro, quando desligou o telefone na cara do primeiro ministro australiano Malcolm Turnbull durante uma conversa sobre refugiados. Igualmente, quando em um encontro na Casa Branca recusou-se a apertar a mão da chanceler alemã Angela Merkel, em março último, no Salão Oval, supostamente por não ter ouvido o pedido dos jornalistas para que o fizesse; segundo alegou posteriormente. O presidente

norte-americano aparentemente não se incomoda em protagonizar publicamente grosserias dessa natureza.

Também em março, Trump disparou sua artilharia contra Meryl Streep, chamando-a de “puxa-saco de Hillary [Clinton]” e “adoradora de Hillary”, em uma entrevista concedida ao The New York Times, reagindo a um discurso que a atriz proferira na noite anterior, durante a cerimônia de premiação do Globo de Ouro, na qual fez duras críticas ao discurso anti-imigração de Trump. Na ocasião, Meryl também criticou o republicano por ter debochado do jornalista Serge Kovaleski, portador de doença congênita, em 2015, em um comício de sua campanha presidencial na Carolina do Sul.

A verborragia de Trump, por sinal, parece não ter limites. Sua falta de papas na língua é conhecida e inegável. A forma como ele usa o Twitter pessoal para atacar ou alfinetar indiscriminadamente seus adversários, como se ainda estivesse em campanha, também tornou-se alvo das críticas desferidas contra ele. Aliás, quem usa o Twitter oficial do governo, o POTUS (President of the United States), é um funcionário especialmente designado para tal função. Não por outro motivo seus desafetos acham que o presidente deveria renunciar por ora ao Twitter pessoal; ou pelo menos usá-lo com parcimônia. Em se tratando de alguém com o temperamento de Trump, no entanto, é improvável que isso ocorra.

Redes sociais

Nas redes sociais, detratores e adoradores de Trump, ou “Trump’s suppoters”, como por lá são classificados os eleitores do magnata, seguem trocando farpas. No Paltalk, por exemplo, na sessão “Social Issues and Politics”, pululam salas de ambos os partidos nas quais democratas e republicanos debatem acaloradamente a pauta política diária. A hashtag #notmypresident continua a ser incansavelmente usada por aqueles que não engolem Trump de jeito algum.

A temperatura no Paltalk também se eleva quando os democratas questionam os gastos do governo Trump com a segurança da primeira-dama Melania e do filho Barron, que não se mudaram para a Casa Branca, em Washington, e continuam residindo na Trump Tower, em Nova Iorque, onde o garoto estuda. Segundo o departamento de polícia de Nova York, Melania e Barron custam aos cofres públicos algo em torno de US$ 146 mil por dia. Há quem afirme que o aparato com a segurança dos dois custa milhões.

A questão do conflito de interesses também tem gerado críticas à administração Trump. Em abril, sites de algumas embaixadas norte-americanas, como a do Reino Unido, por exemplo, exibiram propaganda do resort de luxo de Trump (Mar-a-Lago), em Palm Beach, na Flórida, e não tardou para que congressistas democratas e cidadãos anti-Trump se

manifestassem, acusando o presidente de fazer publicidade de seus negócios pessoais na esfera governamental. O anúncio também foi postado no site Share-America, do Departamento de Estado, e retirado logo depois das críticas. Em seu lugar, acharam por bem publicar uma nota explicativa segundo a qual a intenção foi tão somente informar o local onde o presidente vem recebendo líderes mundiais. 

Obamacare

Cabe assinalar, ainda, que atitudes que Trump criticava em Obama são agora praticadas por ele próprio sem cerimônia alguma, como é o caso do excesso de Ordens Executivas. Em sua primeira semana na presidência ele assinou nada menos que quinze OE e transformou as canetadas em um espetáculo pirotécnico. A cada decreto assinado era disparado um mar de flash de câmeras fotográficas.

Trump também enfureceu seus opositores ao nomear o genro Jared Kushner para ocupar o cargo de assessor sênior da Casa Branca, ainda em janeiro, e em seguida a filha Ivanka, mulher de Kushner, em março, como sua assessora. Embora tenha sido oficialmente dito que ambos não são remunerados pelos serviços prestados o presidente foi acusado de nepotismo.

A lista de queixas e críticas a Trump é interminável. Dela, figuram ainda a sua recusa em divulgar seu Imposto de Renda; sua luta feroz para derrubar de vez o ACA (Affordable Care Act), mais conhecido como “Obamacare”; a promessa de construir o muro na fronteira com o México bem como a escolha polêmica de seu gabinete, que inclui majoritariamente bilionários, e ainda nomes acusados de ligação com o governo russo, como Michael Flynn, por exemplo, Conselheiro de Segurança Nacional, que forçosamente acabou pedindo demissão. 

Armas

O recente apoio dado por Trump à indústria bélica também engrossa o coro dos descontentes. Em um evento realizado em abril, que reuniu membros da Associação Nacional de Rifles (NRA na sigla em inglês), Trump disse opor-se radicalmente ao controle de armas no país, uma das bandeiras do governo Obama, e afirmou ainda que a NRA conta agora com um amigo permanente na Casa Branca.

Por fim, quem bem definiu o que se avizinhava com Trump no poder foi o jornalista Clóvis Rossi, em sua coluna na Folha de S. Paulo, em janeiro último, um dia depois da eleição que concedeu ao republicano a controvertida vitória. Disse Rossi na ocasião: “O eleitorado norte-americano rompeu nesta terça-feira (8) a casca do ovo da serpente que Donald Trump incubou durante toda a campanha. Estão, portanto, a solta todos os demônios que o politicamente

correto havia soterrado ou pelo menos amenizado na sociedade dos Estados Unidos”.

Ao que tudo indica, lamentavelmente, os dias de aflição estão apenas começando. Os jornalistas americanos certamente já começaram a travar uma batalha hercúlea pelo direito de exercerem dignamente sua profissão. Alguns loros, felizmente, já podem ser contabilizados. Em abril último, o The Washington Post abocanhou outro Prêmio Pulitzer. Desta vez, por uma reportagem na qual desmascarava Trump por ele ter mentido sobre supostas doações a entidades de caridade. Trata-se indubitavelmente da verdade falando mais alto que os fatos alternativos.

Rita de Cássia Arruda – Jornalista residente em Brasília.

Trump didn’t attend the meeting with the press

US President Donald Trump did not attend the White House Correspondents’ Association Dinner (WHCA) meeting, which took place on the last Saturday of April (29), and one cannot say that the media professionals present there have particularly lamented the absence of the Republican. In fact, they emphasized in their speeches that the purpose of the event is basically to celebrate the cordial relationship between the president and the press, democracy and compliance with the First Amendment of the US Constitution, which guarantees freedom of the press.

Trump was the first president to miss WHCA’s dinner in more than three decades and to justify his absence presidential spokeswoman Sarah Huckabee Sanders claimed in a statement that Trump was not elected to attend events with reporters and celebrities. Obama, for his turn, has always honored the meeting in his eight-year term.

Despite the prevailing politically correct tone, what was seen during WHCA’s ceremony was a barrage of criticism of the Trump administration; not without a good hint of humor.

In a large screen exhibited during the solemnity, presidential historian Michael Beschloss said that when the press confronts the government it means to say that the system works to the full in the context of democracy.

Former testimonials of former presidents explaining their relationship with the press were also exhibited. On the screen, Richard Nixon, Ronald Reagan, Bill Clinton, George W. Bush and Barak Obama showed up. Bush, by the way, when he was still president, said in the tape that the press did not always like the decisions he made and that he did not always like the way the press approached such decisions, but the coexistence between them was ultimately peaceful.

Trump, however, seems to disagree with Beschloss’ and Bush’s views. Otherwise, he would not have performed the lamentable episode concerned to the banishment of some media outlets from attending the White House briefings. Among the vehicles barred were CNN, BBC, The New York Times and Politico. In fact, Trump often classifies the press as “the enemy of the people.” 

Watergate

Investigative journalists Carl Bernstein and Bob Woodward attended the celebration and, of course, talked about the whole process that culminated in the resignation of the Republican Richard Nixon, in 1974, in the scandal known as Watergate, when they were reporters at The Washington Post. Both of them said at WHCA’s dinner that it is indispensable to the practice of journalism to

pursue by any means the best possible version of the facts to the extent they are found. This was, according to Bernstein, the work methodology used by them in the coverage that subsequently leaded them to won a Pulitzer Prize. Referring to the current political moment, Bernstein added: “We are reporters, not judges, nor legislators. What the government or citizens or judges do with the information we provide to them is neither relevant to our task nor it’s our purpose. Our mission is to publish the best possible version of the truth. Period. Especially now”.

Woodward, for his part, in a message directly addressed to Trump, stated that the press is not “fake news”, as the president insistently keeps affirming. Quoting a phrase from Ben Bradlee, a former president of The Washington Post, already deceased, he recalled that “The more the press fiercely pursues the truth, the more some people feel offended by the press”. Woodward also said that he and his friend Carl are fathers, grandfathers, and perhaps great-grandfathers of several generations of journalists.

In this context, it is interesting to note that Trump and Kellyanne Conway, at the time Trump’s campaign coordinator and current White House’s counsel, however, seem to go against what was said by the renowned journalist, preferring to pray in the “alterative facts” hornbook.

The comic tone of the evening was given by the comedian Hasan Minhaj, of Indian descent, who joked about being a Muslim and also about being there precisely entertaining journalists and mocking the president who does not like Muslims and who has not given up on the idea of banning them from the country. Minhaj leaded the audience to burst in laughs with his acid jokes.

Coincidentally, at that day, Trump was completing exactly one hundred days in office. He reached the hundredth day, however, with one of the worst rates of popularity among other US presidents at the beginning of their terms. Among Trump’s 38 promises to be fulfilled in his first 100 days of government, only ten of them were actually carried out; totalizing 26.3%. 

Sharp Tongue

Criticism has been raining over Trump’s head and he walks arrogantly, trampling on the protocol and committing gaffes, such as what occurred in February, when he hung up the phone in the face of the Australian Prime Minister Malcolm Turnbull during a conversation about refugees. Likewise, when he refused shaking hands with the German Chancellor Angela Merkel, last March, at the White House, during a meeting at the Oval Office, supposedly for not having heard the request of journalists for him to do so; according to what he alleged posteriorly. The American president apparently does not mind to perform rudeness of this nature publicly.

Also in March, Trump fired his artillery against Meryl Streep, calling her “Hillary’s flunky” and “Hillary’s lover”, in an interview with The New York Times, reacting to a speech that the actress had delivered the previous night, during the Golden Globe Awards ceremony, in which she harshly criticized Trump’s anti-immigration speech. At the time, Meryl also criticized the Republican for having mocked journalist Serge Kovaleski, a disabled reporter, in 2015, at a rally during his presidential campaign in South Carolina

Trump’s verbiage, by the way, seems to have no limits. The lack of break in his tongue is known and undeniable. The way he uses his personal Twitter to indiscriminately attack or pinpoint his opponents, as if he was still on the campaign trail, has also became the target of criticisms launched against him. Incidentally, who uses the government’s official Twitter, POTUS (President of the United States), is an employee specially designated for this task. For no other reason, his opponents think that the president should resign for now to his personal Twitter; or at least to use it sparingly. When it comes to someone with Trump’s temper, however, that’s unlikely to happen. 

Social networks

In social networks, detractors and worshipers of Trump, or “Trump’s suppoters”, as the tycoon’s voters are classified there in the US, keep fighting each other with passion. At Paltalk, for example, in the “Social Issues and Politics” session, there are plenty of rooms for both parties in which Democrats and Republicans hotly debate the daily political agenda. The #notmypresident hashtag keeps being relentlessly used by those who do not swallow Trump at all.

The temperature in Paltalk also rises as Democrats question the Trump government’s spending on the safety of First Lady Melania and her son Barron, who did not move to the White House in Washington and continue residing in Trump Tower, in New York, where the boy studies. According to the New York police department, Melania and Barron cost the public coffers something around $ 146,000 a day. There are those who claim that the apparatus with the safety of both costs millions.

The conflict of interest issue has also generated criticism of the Trump administration. In April, websites of some US embassies, such as the United Kingdom, for example, advertised Trump’s luxury resort (Mar-a-Lago) in Palm Beach, Florida, and it didn’t take long to Democratic congressmen and anti-Trump citizens to come out, accusing the president of publicizing his personal business at the governmental environment. The ad was also posted on the State Department’s Share-America website and removed shortly after the critics. In its place, instead, they published an explanatory note according to which the intention was only to inform the place where the president has been receiving world leaders. 

Obamacare

It should also be noted that what Trump used to criticize in Obama has been now practiced by him without any ceremony, such as the excess of Executive Orders. In his first week in the presidency he signed no less than fifteen EO and turned the insistent use of his pen into a pyrotechnic spectacle. Each time he signed an ordinance, a sea of cameras’ flash would shot.

Trump also infuriated his opponents by naming his son-in-law Jared Kushner to become the White House’s senior adviser, as early as January, and then his daughter Ivanka, Kushner’s wife, in March, as his personal adviser. Although it has been officially said that both are not paid for services rendered, the president was accused of nepotism.

The list of complaints and criticisms against Trump is endless. It also includes his refusal to disclose his Income Tax; his fierce struggle to overthrow the ACA (Affordable Care Act), better known as “Obamacare”; the promise to build the wall on the Mexican border, as well as the controversial choice of his cabinet, which includes mostly billionaires, and also names accused of liaising with the Russian government, such as Michael Flynn, for example, National Security Adviser, who forcibly ended up resigning. 

Guns

Trump’s recent support to the arms industry has also thickened the ranks of the discontented. At an April event that brought together members of the National Rifle Association (NRA), Trump said that he strongly opposes guns control in the country, one of the flags of the Obama administration, and affirmed that the NRA counts now with a permanent friend at the White House.

Finally, who defined what was close to happen with Trump in power was the Brazilian journalist Clóvis Rossi, in his column in Folha de S. Paulo newspaper, last January, a day after the election that granted the Republican the controversial victory. Rossi said at the time: “The American electorate on Tuesday broke the bark of the serpent’s egg that Donald Trump incubated throughout his campaign. All the demons that the politically correct had buried or at least softened in the society of the United States, therefore, are now on loose”.

Sadly, the recent episodes clearly point to this way, the days of distress are just beginning. American journalists certainly have already begun to struggle a Herculean battle for the right to exercise their profession worthily. Some laurel, fortunately, can already be counted. Last April, The Washington Post snapped another Pulitzer Prize. This time, due a report in which the newspaper unmasked Trump; proving that he lied about alleged donations to charities. It is undoubtedly truth speaking louder than alternative facts.

Rita de Cássia Arruda – Brazilian journalist living in Brasília (Brazil).