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Uma em cada duas jornalistas sofre violência de gênero no trabalho, revela FIJ

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Quase uma em cada duas mulheres jornalistas sofreu assédio sexual, abuso psicológico, assédio online e outras formas de violência de gênero enquanto trabalhava. Um expressivo 85% afirmou que nenhuma ação foi tomada contra os atacantes ou que as medidas eram inadequadas. Além disso, a maioria das redações ou locais de trabalho nem sequer possuem uma política escrita para combater esse tipo de abuso ou fornecer um mecanismo para informar sobre eles.

Essas estatísticas alarmantes são o resultado de uma enquete divulgada pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) na véspera do Dia mundial de Combate à Violência contra Mulheres, celebrado em 25 de novembro. Para marcar a data a Comissão Nacional de Mulheres da FENAJ divulgou nota (leia aqui).

A pesquisa, que registra o testemunho de quase 400 mulheres jornalistas de 50 países e que foi publicada na véspera do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher das Nações Unidas, revelou que:

 – 48% das entrevistadas sofreram violência de gênero relacionada ao seu trabalho;

– 44% das entrevistadas sofreram assédio online;

–  Entre as formas mais comuns de violência de gênero sofridas pelos jornalistas estão o abuso verbal (63%), o abuso psicológico (41%), o assédio sexual (37%) e a exploração econômica (21%). Quase 11% sofreram violência física;

– 45% dos infratores eram pessoas de fora do local de trabalho (fontes, políticos, leitores ou ouvintes). 38% eram chefes ou superiores;

– 39% dos atacantes eram anônimos;

– Dois terços (66,15%) das entrevistadas não apresentaram denúncia formal;

– Das que denunciaram, 84,8% não consideram que foram tomadas medidas adequadas em todos os casos contra os infratores. Apenas 12,3% ficaram satisfeitas com o resultado final;

– Apenas 26% dos locais de trabalho têm uma política que abrange violência de gênero e assédio sexual.

 “Jornalistas de 50 países tem nos contado a mesma história, que a violência de gênero no mundo do trabalho é generalizada e que medidas para combatê-la não existem ou são inadequadas em praticamente todos os casos. Precisamos de ações urgentes para ajuizar os infratores e fazer com que as mulheres jornalistas se sintam confiantes o suficiente para denunciarem esses abusos”, afirmou a co-presidenta do Comitê de Gênero da FIJ, Mindy Ran.

Por sua parte, o secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger, disse: “Precisamos urgentemente de acordos coletivos no local de trabalho, procedimentos sólidos de denúncia e medidas contra os infratores  para combater os terrríveis números da violência de gênero que temos registrado referentes ao trabalho das jornalistas. Para a FIJ e seus sindicatos, abordar a violência  e o abuso sofridos por essas profissionais, em todos os cantos do mundo, é uma prioridade”.

“O fato de que as mulheres se sintam livres para falar sobre os abusos que sofrem devria incentivar a implementação ou o reforço dos regulamentos, mas acima de tudo a sua implementação para pôr fim à violência e ao assédio sexual das mulheres. Além disso, mesmo nos empregos em que a igualdade de remuneração é garantida através de um acordo coletivo, uma política igualitária de promoção, livre de assédio dos trabalhadores, deve ser ativada para superar a violência econômica de que  também são vítimas nossas colegas jornalistas”, acrescentou o presidente da FIJ, Philippe Leruth.

A FIJ está apoiando ações destinadas a conseguir um convênio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a violência de gênero no mundo do trabalho. Os resultados de uma segunda pesquisa sobre a ação sindical contra a violência de gênero serão publicados no início do próximo ano.

Com informações da FIJ