Deputado Federal solicita ao Ministério da Saúde inclusão de jornalistas na vacinação da gripe. MS recusou solicitação enviada pela FENAJ

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FENAJ recebeu ofício da Secretaria de Vigilância em Saúde com as justificativas do governo pela recusa, que incluem “falta de respaldo técnico, científico e evidências epidemiológicas”

O Deputado Federal José Guimarães (PT/CE), líder da Minoria na Câmara, solicitou ao Ministério da Saúde a inclusão de jornalistas e demais profissionais de comunicação no grupo prioritário de vacinação contra a gripe (H1N1, H2N3 e Influenza B).

A indicação foi apresentada nesta semana, a partir da justificativa que os jornalistas são responsáveis pelo esclarecimento da população sobre o coronavírus (COVID-19) e que “é indispensável que esse tipo de atividade não seja prejudicada pelo absenteísmo que seria causado por doenças como a gripe”. O pedido se estende a outros profissionais de comunicação considerando que, ainda que a imunização não seja preventiva diretamente ao COVID, pode auxiliar no diagnóstico.

A proposição do parlamentar atendeu articulação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce).

A vacina contra a gripe não protege contra o novo Coronavírus. Mas é uma maneira de resguardar os mais vulneráveis contra doenças respiratórias, que podem impactar o sistema imunológico e favorecer o aparecimento de outras infecções. Os jornalistas têm 52% de chances de contágio pela Covid-19, segundo levantamento feito por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Copre/UFRJ).

No final de março, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) já havia enviado ofício com a solicitação para que os jornalistas profissionais fossem inseridos no grupo prioritário da Campanha Nacional de Vacinação, que está em vigência, após alguns Sindicatos de Jornalistas terem tentado acionar Secretarias Estaduais de Saúde e terem seus pedidos negados.

A Secretaria de Vigilância em Saúde respondeu o ofício da FENAJ recusando a inserção de jornalistas profissionais alegando que não existe “respaldo técnico, científico e evidências epidemiológicas” para que jornalistas recebam a vacina gratuita pelo Ministério da Saúde. O órgão também alegou que as doses adquiridas para a Campanha Nacional de Vacinação levam em conta o público-alvo já estabelecido, “não sendo possível promover a inclusão de novos públicos na vacinação”.

Ainda que alguns Sindicatos de Jornalistas tenham tido suas demandas negadas, paralelamente ao envio da solicitação ao MS, outros sindicatos conseguiram a vacinação para os profissionais jornalistas. É o caso das cidades de Campinas (SP), Aparecida de Goiânia (GO),  Brasília (DF), além de quatro cidades do interior da Bahia.

De acordo com a Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde, a Campanha Nacional de Vacinação 2020 distribuiu 75 milhões de doses da vacina para todos os estados do país, para atender o público alvo: pessoas com 60 anos ou mais; crianças de 6 meses à 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes; puérperas (até 45 dias após o parto); trabalhadores da saúde; professores das escolas públicas e privadas; povos indígenas; pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional e forças de segurança e salvamento; pessoas de 55 anos a 59 anos de idade; e pessoas com deficiência.

Federação Nacional dos Jornalistas

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