FENAJ e Sindicato exigem explicações sobre arquivamento de inquérito que apurava armação a jornalista em MT

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A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso cobram da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e da Polícia Federal a conclusão do inquérito instaurado para investigar a contratação de um detetive particular para assassinar a reputação do jornalista Alexandre Aprá, do portal Isso É Notícia, de Cuiabá-MT. O inquérito foi arquivado e, numa nova forma de perseguição, o jornalista foi indiciado em outro inquérito, instaurado a partir da “Operação Fake News”, deflagrada pela Polícia Civil.

Para a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, existem provas materiais de que Alexandre Aprá foi vítima de uma tentativa de criminalização, com o objetivo de impedir sua atuação como jornalista e, portanto, de cercear a livre circulação da informação jornalística, notadamente das denúncias que envolvem o governador do Estado.

Em agosto do ano passado, um detetive particular foi flagrado tentando colocar um aparelho de rastreamento no carro do jornalista, com o objetivo de forjar um flagrante de tráfico de drogas ou de pedofilia contra o profissional, que apresentou uma notícia-crime na Polícia Federal. Mas o caso foi encaminhado ao Ministério Público Estadual e, posteriormente, à Polícia Civil, que arquivou o inquérito.

No último dia 7 de abril, Dia do Jornalista, Aprá foi indiciado pela disseminação de “fake news”, por ter denunciado e pedido investigação da contratação do detetive, que foi filmado declarando que os contratantes do serviço eram o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (UB) e a primeira-dama, Virginia Mendes, por intermédio do empresário Ziad Fares, dono da ZF Comunicação, uma das cinco agências de publicidade que atendem o Governo do Estado.

Em depoimento, o detetive afirmou que citou o govenador, a primeira-dama e o empresário em conversas com seu auxiliar (que foram gravadas e constam do inquérito) apenas para tranquilizá-lo e negou a participação dos citados. O governador, a primeira-dama e o empresário não tomaram nenhuma medida judicial contra o detetive, mas moveram ações contra o jornalista.

Segundo o jornal A Gazeta, de Cuiabá, o delegado responsável pelo caso, Ruy Guilherme Peral da Silva, declarou em entrevista não ser possível identificar os contratantes dos serviços do detetive e também entendeu que o detetive não cometeu crimes contra a honra por ter sido filmado usando “táticas investigativas”.

A FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso entendem ser necessária uma resposta da Polícia Civil, do Ministério Público e dos órgãos de controle para esta situação. O presidente do Sindicato, Itamar Perenha, em entrevista ao Minuto MT, lembrou que seria “óbvia” a quebra do sigilo bancário do detetive para a identificação dos mandantes.

A presidenta da FENAJ, Maria José Braga, afirma que a revisão dos dois inquéritos é uma necessidade imperiosa para impedir a perseguição contra o jornalista, preservar sua liberdade e sua integridade física e moral, bem como garantir a liberdade de imprensa.