FENAJ faz balanço de 2022 e reafirma compromissos para o próximo ano

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À medida que 2022 chega ao fim, refletimos sobre um ano que trouxe imensos desafios aos jornalistas brasileiros e às entidades sindicais representativas da categoria, mas também reafirmou os princípios da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) na defesa intransigente dos direitos das operárias e operários da notícia.

Junto com nossos Sindicatos filiados, atuamos fortemente no combate à violência contra jornalistas e demais trabalhadores da mídia. Denunciamos, cobramos autoridades e empregadores, orientamos as/os profissionais e apresentamos sugestões aos atores sociais com incidência na garantia das liberdades de expressão e de imprensa.

Com nosso trabalho incansável e intrinsecamente comprometido com a divulgação da informação de interesse público, fizemos frente à avalanche de desinformação em massa que tentou – e ainda tenta – ferir não só a verdade factual, mas a nossa democracia.

Também provamos, com nossa atuação ética, que não é possível andar de mãos dadas com o fascismo. Queremos, por meio da nossa atividade profissional e luta organizada, ajudar a reconstruir o Brasil.

Queremos, entre outras demandas, a volta do diploma, a atualização da regulamentação da nossa profissão, salário digno, segurança e liberdade no exercício de informar! Queremos, portanto, respeito!

Desejamos um próspero 2023, com trabalho decente, liberdade de imprensa e segurança para todos os trabalhadores da mídia.

Boas Festas e um Ano Novo repleto de boas notícias!

Acompanhe nossa retrospectiva de 2022

Defesa dos direitos


✒ Atuação no Congresso Nacional. FENAJ apresentou as principais demandas dos jornalistas brasileiros na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados. Federalização das investigações dos crimes contra jornalistas, PEC do Diploma, apoio à taxação das grandes plataformas e criação do Fundo Nacional de Apoio e Fomento ao Jornalismo foram as ações apontadas ao parlamento.
 
📝 Pautas para os presidenciáveis. FENAJ enviou aos candidatos à Presidência da República a sua plataforma para as eleições de 2022, elencando as oito pautas prioritárias da categoria. O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, registrou o recebimento da plataforma, em evento ocorrido em Fortaleza/CE.

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Assédio moral na EBC. FENAJ articulou a denúncia de assédio moral sofrido por trabalhadores da EBC no Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH). A conselheira Virgínia Berriel, diretora executiva da FENAJ e representante da CUT no colegiado, encaminhou o pedido de oitiva da jornalista Kariane Costa. Ao longo de todo o processo de desmonte da EBC, temos caminhado junto com os Sindicatos de Jornalistas de SP, MRJ e DF na defesa dos trabalhadores da empresa.
📢 Democratização das Comunicações. Ao longo do ano, a FENAJ seguiu na coordenação geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e, junto com outras entidades que atuam nessa luta histórica, reuniu-se com o GT de Comunicação da transição de governo, quando  apresentou uma carta pública com propostas para a garantia de acesso à Internet, reconstrução da EBC e ampliação do Sistema Público de Comunicação, regulação das plataformas digitais, entre outros pontos.
💪Luta por melhores salários. A atuação sindical da FENAJ na defesa das condições de trabalho para a categoria se manteve firme ao longo de 2022. Apoiamos a mobilização conjunta dos Sindicatos dos Jornalistas de SP, MRJ e DF por reajuste salarial, denunciamos e combatemos assédios, demissões imotivadas e precarização da atuação profissional.
 

Liberdade de Imprensa

 

🎯 Violência contra jornalistas. FENAJ continuou monitorando as violações à liberdade de imprensa e os ataques ao Jornalismo no país, sempre se posicionando, por meio de notas públicas, na cobrança de medidas às autoridades e aos empregadores. Em 2022, lançamos o Relatório Anual da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2021, que mostrou a manutenção das agressões à categoria em patamares recordes desde o início da série histórica. Também contamos com a valorosa colaboração dos Sindicatos de Jornalistas filiados na coleta de dados para elaboração do Relatório de 2022, que será lançado em janeiro do ano que vem.

📒Dossiê com objETHOS. A FENAJ lançou o dossiê “Ataques ao Jornalismo e ao Seu Direito à Informação”, fruto de uma parceria com o Observatório da Ética Jornalística (objETHOS). A publicação eletrônica aprofunda o debate sobre a violência contra o Jornalismo no país e seus impactos para a sociedade.

🤐 Denúncia à OEA. Junto com outras entidades, a FENAJ apresentou dados da violência contra jornalistas ao Relator Especial para a Liberdade de Expressão da OEA, Pedro Vaca. O objetivo do encontro virtual foi contribuir com informações sobre a situação geral da integridade da democracia no país.

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 Justiça por Dom Phillips. O brutal assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira mobilizou a FENAJ e diversas entidades de defesa das liberdades de expressão e de imprensa, além de organizações de direitos humanos. Cobramos investigação aprofundada para apontar e punir não só os autores materiais, mas os mandantes desse grave crime contra a liberdade de imprensa no país. Que a luta dos dois não seja em vão.

🗳 Segurança nas eleições. A FENAJ integrou uma coalizão focada em combater a violência contra jornalistas no contexto da cobertura das eleições gerais deste ano. Entre as ações do grupo, estão duas cartas públicas em defesa de condições livres e seguras para a atividade jornalística no período eleitoral e de transição, além de um encontro com o GT de Comunicação Social do gabinete de transição para o novo governo. Em parceria com a Abraji e o Tornavoz, acionamos autoridades públicas para cobrar atuação célere nas ocorrências indicadas, obtendo respostas de algumas autoridades.

🚨 Orientações e guia digital. Ainda no contexto das eleições, a FENAJ orientou os Sindicatos filiados a adotarem medidas para tentar mitigar os riscos de agressão a jornalistas na cobertura de atos de campanha e protestos políticos. Para auxiliar a categoria, também lançou um mini guia digital de segurança com foco nas eleições.

❓ Ferramenta de busca de dados sobre violência. Em parceria com os grupos de pesquisa COM+ e OBCOM da Escola de Comunicação e Artes da USP, a FENAJ contribuiu com a criação de uma ferramenta automatizada de busca de dados sobre violência contra jornalistas no Brasil. A partir dos nossos relatórios anuais, elaborados desde 1982, é possível cruzar dados na plataforma, auxiliando pesquisadores e a própria categoria.

⚖ Liberdade para Julian Assange. Caso emblemático de criminalização mundial da atividade jornalística, a prisão de Julian Assange foi pauta de ações da FENAJ ao longo do ano. Endossamos a campanha da FIJ #FreeAssangeNow, divulgamos ação internacional de mobilização pela liberdade do jornalista, pedimos a revisão da ordem de extradição dada pelo governo britânico, integramos as agendas dos representantes do Wikileaks no Brasil e participamos de audiência pública no senado.

Atuação internacional

🌎 Reconhecimento global. FENAJ foi reeleita para o Comitê Executivo da FIJ, em evento realizado na cidade de Mascate, capital de Omã. Maria José Braga foi a segunda candidata mais votada.

🚺 Comitê de Gênero. A FENAJ também foi eleita para o Comitê Diretor do Conselho de Gênero da FIJ. A atual presidenta, Samira de Castro, representa as profissionais da América Latina, em especial as colegas jornalistas brasileiras.

🗣 Denúncias internacionaisFENAJ aprovou duas moções no 31º Congresso Internacional dos Jornalistas. Uma, de repúdio às agressões de Jair Bolsonaro a jornalistas e suas ameaças à democracia; a outra em apoio ao jornalista Rubens Valente, condenado a indenizar o ministro Gilmar Mendes.

🌎 América Latina. FENAJ foi eleita para a Secretaria de Ação Política do Comitê Executivo da Federação dos Periodistas da América Latina e Caribe (FepALC). A representação é exercida pelo diretor Celso Schroder.

Campanhas e ações

🚺 Pauta de Gênero. Marcando a atuação da sua Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas, a FENAJ realizou, nas mídias sociais digitais, a campanha “Trabalho decente e sem violência para as jornalistas – pela Convenção 190 da OIT”, divulgou um manifesto e participou de lives dos Sindicatos filiados sobre as questões de gênero, raça e classe no Jornalismo. Também produziu uma campanha virtual em homenagem a profissionais da categoria que foram pioneiras no feminismo, no Jornalismo, no sindicalismo e na luta por direitos.

😞 Dossiê Jornalistas vitimados pela Covid-19. No segundo ano de pandemia, a FENAJ continuou monitorando e divulgando os dados sobre jornalistas mortos em decorrência do novo coronavírus, além de manter as orientações aos Sindicatos para que cobrassem dos empregadores as medidas de mitigação de riscos.

🚩 Valorização profissional. Ampliando sua presença no ambiente digital, a FENAJ promoveu e participou de campanhas e ações ligadas às suas principais lutas, como a que marcou o Dia do Jornalista, em 7 de abril; a campanha da FIJ no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa; e a do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

🎓 Relação com estudantes de Jornalismo. A FENAJ participou da 21ª edição do Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (Enejor), com a realização do 17º Pré-Fórum da Federação, apresentando a Cátedra FENAJ, uma contribuição para o ensino de Jornalismo comprometido com a constituição da cidadania. Ainda marcando a atuação junto aos futuros profissionais, a FENAJ participou de dezenas de entrevistas para TCCs sobre os mais variados temas, além de ajudar a divulgar questionários de pesquisadores. Também esteve presencialmente, apresentando palestras, em pelo menos três universidades no Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

⚖ Fim da impunidade. FENAJ endossou a campanha da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) pela adoção de uma convenção da ONU sobre a segurança e a independência de jornalistas e de outros profissionais da mídia, lançada em 2 de Novembro – Dia Internacional pelo Fim da Impunidade de Crimes contra Jornalistas.

😞 Jornalistas mortos em 2022. Na véspera do Dia Internacional dos Direitos Humanos, a FENAJ somou-se à FIJ na denúncia pública da Killed List Report, a lista dos jornalistas mortos em 2022, que chegou ao número de 67 profissionais assassinados por cumprirem seu trabalho de levar informações à sociedade.

Eventos e projetos

 

💬 Seminário Nacional. Esse ano, os jornalistas brasileiros voltaram a se encontrar presencialmente para debater questões fundamentais como a Sustentabilidade do Jornalismo e a importância dos Jornalistas de Imagem. Depois de dois anos de atividades on-line, o Seminário e o Encontro aconteceram em Fortaleza/CE, onde parte da diretoria da FENAJ esteve reunida num planejamento de ações emergenciais para a nova gestão eleita em julho.

💰 Taxação das plataformas digitais. A FENAJ seguiu aprofundando o debate e a mobilização em torno da apresentação de dois projetos de lei que são fundamentais para a reconstrução do Jornalismo no país: a taxação das big techs e a criação do Fundo Nacional de Apoio e Fomento ao Jornalismo. Além de reuniões com parlamentares e suas assessorias, lançamos uma campanha nas redes sociais e seguimos dialogando com a categoria sobre nossas iniciativas.

 

Acesso à informação

 

🔍 10 anos da LAI. No ano em que a implementação da LAI completou 10 anos, a FENAJ integrou o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas. Para marcar a implementação da LAI, o Fórum promoveu um evento on-line e publicou o e-book “A LAI é 10: o Brasil após uma década da Lei de Acesso à Informação”. Também teve forte atuação no controle social da implementação da lei, por meio de manifestações públicas e encontros estratégicos. E realizou a campanha #DepoisDasUrnas, que auxiliou a população no acompanhamento das propostas e ações dos políticos eleitos em 2022.