Justiça começa a ouvir testemunhas do caso Santiago Andrade

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O juiz da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Murilo Kieling, começou a ouvir na sexta-feira (25) as primeiras quatro testemunhas do caso Santiago Andrade, na primeira audiência de instrução e julgamento. Os acusados Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza respondem pelos crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado, por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e uso de explosivo. Seus defensores tentam trancar o processo no TJ/RJ, caracterizando o caso como de homicídio culposo.

Santiago era cinegrafista da TV Bandeirantes e foi atingido por um rojão quando cobria uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro. Foi socorrido e internado em um hospital, mas não resistiu ao ferimento e morreu no dia 10 de fevereiro.

Foram arroladas no processo oito testemunhas de acusação e nove de defesa. No da 25 o juiz Murilo Kieling ouviu quatro testemunhas de acusação. Depuseram o delegado de polícia Maurício Luciano de Almeida e Silva, responsável pela apuração do inquérito; o delegado Fábio Pacífico Marques, na época assistente de Almeida; e o primeiro-tenente do Batalhão de Choque da Polícia Militar Luiz Alexandre de Oliveira Martins, que levou Santiago para o hospital e comunicou o fato à 18ª DP.

Além deles, também depôs Carlos Henrique Omena da Silva, que trabalhava com Caio Silva na época e disse ter recebido um telefonema do acusado logo após o incidente admitindo ter feito “besteira” e supondo ter matado o repórter cinematográfico.

Para o advogado de defesa, Wallace Martins, a acusação de homicídio doloso triplamente qualificado é excessiva para o fato. Ele informou que nos próximos dias será impetrado um habeas corpus pedindo o deslocamento da competência do juri sob o argumento de que houve um crime culposo (sem intenção de matar). Já a promotora de Justiça do Ministério Público Isabella Pena Luca sustenta que o caso deve ser levado a juri popular, sob o argumento de que, ao lançarem o explosivo, os acusados assumiram o risco do dolo de matar.

A próxima audiência foi marcada para o dia 5 de maio, quando devem ser ouvidas mais quatro testemunhas de acusação, dentre as quais dois técnicos em explosivos, e as nove testemunhas de defesa, além dos dois acusados. Após essa fase, o juiz decide se o caso vai ou não a juri popular.

Com informações da Agência Brasil