Mulheres jornalistas exigem respeito, afirma 2ª vice-presidenta da FENAJ

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O jornal O Povo do último sábado (07/03), véspera do Dia Internacional de Luta das Mulheres, trouxe um artigo de autoria da jornalista Samira de Castro, segunda vice-presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e diretora de Comunicação, Cultura e Eventos do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), com o tema “Mulheres jornalistas exigem respeito”.

O texto reflete o pensamento coletivo construído pela Comissão de Mulheres da FENAJ acerca das questões que envolvem a atuação das jornalistas no Brasil. Diante dos recentes ataques machistas, sexistas e misóginos – que não são exclusividade da profissão, mas ganharam repercussão nacional por virem, sobretudo, do presidente Jair Bolsonaro, de seu clã e de seus eleitores -, a FENAJ conclama as jornalistas a participarem da luta organizada das mulheres. 

Confira o artigo na íntegra:

Mulheres jornalistas exigem respeito

O Brasil precisa construir um pacto social pela equidade de gênero, capaz de dar fim ao racismo, ao machismo, ao sexismo, à misoginia, à LGBTIfobia, à violência e ao feminicídio. Neste sentido, no país em que uma mulher é morta a cada duas horas e um estupro acontece a cada 11 minutos, o 8 de março é mais do que uma data simbólica.

É neste cenário adverso, no qual as forças conservadoras e fundamentalistas se unem aos neoliberais para arrancar direitos sociais e impor a pauta dos costumes, que as mulheres reforçam a disposição de lutar por direitos, condições de trabalho e pela própria vida. Nós, mulheres jornalistas, também integramos essa frente por respeito.

Pouco antes do 8 de março deste ano, o País assistiu ao representante máximo da Nação desferir todo seu machismo, sexismo e misoginia contra jornalistas que simplesmente fizeram o seu trabalho. Quebrando o decoro que o cargo lhe impõe, Jair Bolsonaro atingiu todas as mulheres trabalhadoras e, sobretudo, as jornalistas.

As mulheres são 64% da categoria, mas ainda recebem salários menores que os colegas e não ascendem aos postos de comando. Esse dado fica ainda mais alarmante quando nos referimos às companheiras negras, historicamente mais penalizadas numa sociedade em que o racismo estrutura as relações de trabalho, assim como o classismo e o sexismo.

Ao menos 78,5% das jornalistas já enfrentaram algum tipo de atitude machista durante entrevistas. Mais de 70% delas já deixaram de ser designadas para uma pauta pelo fato de ser mulher. Nas redações, 70% sentiram-se desconfortáveis por comentários sobre sua aparência; 46,3% receberam cantadas de colegas homens, 36,9% de fontes masculinas e 27,9% de superior hierárquico.

Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a violência e a discriminação de gênero enfrentadas por jornalistas são ataques às liberdades de expressão e de imprensa. Como protesto e denúncia, a Fenaj, por meio da sua Comissão de Mulheres, conclama as jornalistas brasileiras a lutarem em defesa do livre exercício profissional, da democracia, e, acima de tudo, contra o fascismo que assombra o Brasil.

Samira de Castro
2ª Vice-presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas