Mulheres representam apenas 24% dos principais editores de notícias, segundo Instituto Reuters

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Nova pesquisa do Reuters Institute analisa a representação de gênero dos editores seniores nos principais meios de comunicação nos cinco continentes, registando que as mulheres ocupam apenas 24% dos cargos editoriais seniores nos mercados pesquisados. As conclusões destacam como as desigualdades de gênero podem reforçar percepções erradas, desequilíbrios e diferenças percebidas, tanto no jornalismo como na cobertura dos jornalistas.

investigação “Mulheres e liderança nos meios de comunicação 2024: Evidências de 12 mercados” recolheu exemplos de cinco continentes e analisou a repartição de gênero dos líderes editoriais. Duzentos e quarenta grandes meios de comunicação online e offline forneceram dados.

De acordo com a pesquisa, entre os 33 principais editores de notícias nomeados pelas marcas abrangidas neste ano e no último, 24% são mulheres. Em alguns destes países, contudo, o número de mulheres supera os homens entre os jornalistas em atividade.

O Reuters compara as suas novas descobertas com os dados dos últimos cinco anos. A proporção de mulheres entre os principais editores aumentou apenas 2% desde 2020, passando de 23% para 25% em 2024. A análise do Instituto prevê que, neste ritmo, a paridade de gênero será alcançada em tais cargos apenas até 2074.

Contudo, a mudança não é consistente em todos os países. Se a percentagem aumentou em relação a 2020 em seis países (nomeie todos), diminuiu 2% na Alemanha e diminuiu fortemente na África do Sul, de 47% para 29%.

O Brasil registrou avanço: o percentual era de 7%, em 2022, e subiu para 23% este ano. Mas ainda abaixo da média global e bem pequeno, se comparado ao total de mulheres jornalistas em atividade no país – a maioria da categoria.

Para Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e membro do Comitê Executivo do Conselho de Gênero da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), o resultado mostra o tamanho do desafio dos sindicatos na busca pela equidade de gênero no Jornalismo.

“Além da baixa participação nos espaços de poder e decisão dentro das redações, ainda enfrentamos desigualdades salariais para as mesmas funções”, comenta a dirigente. Segundo pesquisa realizada pelo Dieese, os homens ganham, em média, 6% a mais que as mulheres da categoria, nos postos formais de emprego.

O Reuters Institute deixa claro que “a liderança editorial de topo é importante tanto em termos de como o jornalismo é praticado como de como aparece na sociedade”, insistindo na forma como os editores de topo representam o público em geral “em todas as suas diferenças e diversidade”.

Fonte: FIJ