NOTA À SOCIEDADE: NÓS DEFENDEMOS A TV ESCOLA, A TV INES E A CINEMATECA BRASILEIRA NA ACERP

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Nós, funcionários e funcionárias da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, a ACERP,  reunidos  em  assembleia,  vimos  a  público  manifestar  apreensão  pelas  últimas notícias que, desde sexta-feira, 13/12, dão conta da não renovação, pelo MEC, do contrato de  gestão  da  TV  Escola.  Desde  que  esses  fatos  se  tornaram  públicos,  367  famílias  vivem momentos de angústia e medo.

A Roquette Pinto é a instituição responsável pela produção e operação da TV Escola desde o lançamento  do  canal, em 1996. Há décadas a ACERP carrega o legado do educador Edgard Roquette-Pinto,  e  tem  um  histórico  compromisso  com  a  democratização  do  acesso  ao conhecimento e a defesa da educação pública do país. Um compromisso que também é de todos e todas nós.

Ao  longo  de mais de 20 anos de existência, a TV Escola sempre se pautou pela pluralidade de  ideias  e pela qualidade de seus programas, muitos premiados no exterior. A atenção às necessidades  de  nosso  público  também  fez  com  que  o  canal  investisse em acessibilidade: com  recursos  de  closed  caption  (legenda  oculta),  audiodescrição  e  tradução  em  LIBRAS. Tudo  isso  é  fruto  da  expertise  desenvolvida  pela  equipe  da  Associação  de  Comunicação Educativa Roquette Pinto.

Não  medimos  o  sucesso  de  nossa  programação  por  meio  de  índices  de  audiência.  Esse nunca  foi  um  parâmetro.  O que nos orienta é a certeza da utilização de nossos programas em  salas  de aula; em cursos de formação de professores e em outras iniciativas voltadas à capacitação de estudantes e profissionais de educação.

Estamos  alinhados  em  defesa  de  uma  educação  pública  de  qualidade,  que  seja  laica, inclusiva e democrática!

Reafirmamos  nosso  total respeito aos educadores, educadoras, alunos e alunas deste país, que há mais de 20 anos acompanham e contam com a nossa programação para divulgar as inúmeras  experiências bem-sucedidas em curso nas escolas públicas brasileiras; bem como na divulgação e nas discussões acerca das políticas públicas de educação implementadas no país.

Entendemos  que  só  o  investimento  em  educação  pode  garantir  que  o  Brasil  cresça e que nossa  sociedade  se  torne  mais  justa.  Nesse  sentido,  a  TV  Escola  é  uma  contribuição fundamental,  sobretudo  em  municípios  que  não  possuem  recursos  ou  estrutura  para promover iniciativas de formação continuada de professores.

Também  expressamos  nossa  preocupação  com  o  futuro  da  TV  INES,  a  única  emissora voltada para a comunidade surda do país – com programação em LIBRAS, a Língua Brasileira de  Sinais.  Não  há  garantias  de  que  o  contrato  de  prestação  de  serviço  para  gestão da TV INES  se  manterá  sem  o  suporte  da  TV  Escola,  uma vez que os dois canais compartilham a estrutura física, equipamentos e equipes, em diversas áreas.

A   Cinemateca   Brasileira,   também   gerida   pela   ACERP,   é   outro   patrimônio   brasileiro ameaçado.  Lá,  desenvolvemos  um  precioso trabalho de recuperação e digitalização de um rico acervo da cinematografia brasileira.

A não renovação do contrato de gestão da TV Escola com a ACERP compromete todas essas atividades. Atinge frontalmente nosso compromisso histórico de contribuir para a melhoria da  qualidade  da  educação  nas  escolas  do  país.  Atinge  igualmente  a  possibilidade  de construirmos  uma  sociedade  na  qual  surdos  e  ouvintes  tenham  acesso  à  informação  e  à cultura. E atinge, também, a preservação da memória do cinema e da cultura brasileiros.

Essa luta não é apenas nossa. Todo o Brasil deveria se preocupar quando instituições como essa que representamos se veem ameaçadas.

Funcionários da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, em assembleia.

Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 2019.