Sérgio Amadeu: precisamos enfrentar a desinformação com projetos de comunicação

11

Conferência de abertura da 25ª Plenária Nacional do FNDC tratou do tema da regulação da democratização da comunicação no contexto global e a disputa por políticas públicas digitais

Foto: Alex Capuano/CUT

O sociólogo e professor Sérgio Amadeu alertou que a regulação das big techs não vai parar a desinformação, “porque a desinformação” é a pauta. “Está claro que a gente precisa regular não só a mídia de massa, mas as plataformas sociais, que são um pouco pior, pois têm um algoritmo que controla o que nós vemos, mas que é invisível para nós”.

Especialista em tecnologia da informação, sociedade da informação e cidadania digital, Amadeu lembrou que as big techs já fazem parte do aparato de poder dos Estados Unidos e têm força suficiente para frear qualquer iniciativa de impor limites à sua atuação, como aconteceu no Brasil, com a retirada do PL 2630/2020.

Para Amadeu, apesar de necessária, só regulação não resolve. Ele defende que o governo reconheça que o movimento pela democratização da comunicação tem condições de ocupar espaços de formulação e de regulação, e não só representantes do mercado. Para o professor, o Estado não pode continuar sendo o grande indutor dos projetos de comunicação hegemônicos. Ele critica o critério técnico de distribuição de verbas que só beneficiam grandes grupos midiáticos que atuam para defender seus interesses de classe acima de quaisquer outros.

Para o palestrante, o movimento pela democratização da comunicação precisa reivindicar recursos para a comunicação. Ele observa que o governo tem muitas limitações, inclusive o enfrentamento à extrema direta, então, se os movimentos sociais não reivindicarem, não pressionarem, ele não vai fazer. “O que o mercado quer, o que caras como Elon Musk querem, é a liberdade de exercer sua força livremente, seja física, política ou econômica. Isso não é liberdade, é violência! Mas eles vendem para a população esse discurso de liberdade”.

Foto: Elizângela AraújoUm exemplo de como o mercado e a extrema direita se organizam no campo da comunicação é o grupo Brasil Paralelo, que tem recursos milionários e grande audiência. “Sem recursos não conseguimos fazer comunicação e eles vão continuar ganhando a disputa com ideias como a de que as mulheres são devassas, a população LGBT não merece existir e a Amazônia é grande demais e, portanto, não tem problema em desmatar”, observa.

Plenária Nacional

A 25ª Plenária Nacional do FNDC começou nesta sexta (28/3) e vai até o próximo domingo (30/6), com a participação de 12 comitês regionais e 62 pessoas, sendo 37 delegados e 21 convidados e observadores. O público participa presencialmente, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, e online.

Fonte: FNDC