Sinjope e Fenaj manifestam preocupação com profissionais em anunciada “venda” do Diario de Pernambuco

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) veem com extrema preocupação a confirmação da venda do controle acionário do Diario de Pernambuco pelas partes envolvidas. O que se percebe, neste momento, é  o mesmo processo nebuloso pelo qual o controle acionário foi repassado pelos Associados e Canadá Investimentos, da mesma família dona do plano de saúde Hapvida, para as mãos dos irmãos Alexandre e Maurício Rands, chegando ao atual nível de caos, com quase quatro folhas de pagamento atrasadas dentre inúmeros débitos e direitos sem quitação.

Notas que o próprio Diario de Pernambuco divulgou não conseguem tranquilizar dezenas de profissionais extremamente prejudicados, sem falar nos profissionais que deixaram a empresa em várias levas de demissões em massa desde então.  Invariavelmente, cada profissional, dentro ou fora da empresa, prossegue sem receber aquilo a que tem direito.

Se identificando como “presidência atual do Diario de Pernambuco”, os irmãos Rands, bacharel em economia Alexandre e ex-advogado trabalhista Maurício, assumem que são “responsáveis pelos jornais Diario de Pernambuco e Aqui PE, além de seus portais na internet, e pelas rádios Clube AM e FM” e comunicam a venda da participação e controle, mas nada dizem sobre como serão quitados os débitos que assumiram para si ao adquirirem o controle dos Associados e da Canadá Investimentos/Hapvida. Nem mesmo se referem às dívidas que criaram ao acumularem atrasos de folhas de pagamento e encargos. Se referem ao “desafio (…) por entender que jornais e rádios são instrumentos fundamentais para a construção de uma sociedade melhor”, mas deixam como herança o pior que uma sociedade pode ter: desempregos, direitos e deveres não honrados. Pior, mesmo assim se dizem “confiantes de que esta é a decisão mais acertada”, que “os novos controladores seguramente terão melhores condições de conduzí-los”.

Também em nota, Carlos Frederico de Albuquerque Vital confirma que “as negociações para a aquisição das cotas pertencentes ao Grupo R2 foram finalizadas, estando neste momento em transição de gestão”, acrescentando que o processo “em nada altera o funcionamento das empresas” e que a transação “parte do esforço de empreendedores pernambucanos e visa, acima de tudo, a preservação e continuidade de um dos grandes e mais respeitados patrimônios da indústria da comunicação do Brasil”.

Duas notas, dois imensos vazios quanto a situação dos trabalhadores. Vazios em relação aos valores envolvidos e, principalmente, sobre quem vai honrar e quando serão honradas as obrigações previdenciárias e trabalhistas de cada profissional que vem sofrendo prejuízo. Algo que o Sinjope e a Fenaj cobram que seja mais que esclarecido e resolvido. Para isso, na legítima defesa de direitos e interesses de cada profissional, acionam a Procuradoria Regional do Trabalho da 6ª Região do Ministério Público do Trabalho (PRT6-MPT) para uma mediação que garanta a necessária transparência e correção da transação anunciada.

Sinjope e Fenaj esclarecem que, em que pese o caráter nebuloso das operações, apenas o Diario de Pernambuco subsiste como empresa negociada, que também edita o Aqui PE e mantém seus espaços na Internet. Segundo informações reiteradas, as rádios Clube AM e FM permanecem como propriedade dos Associados e da Canadá Investimentos/Hapvida e estavam apenas arrendadas como compensação ao imenso passivo assumido e não quitado pelos irmãos Rands.

Preocupa ainda às diretorias do Sinjope e da Fenaj quais seriam os reais propósitos da transação e a preservação dos jornais e das rádios. Mas, acima de tudo, a nossa grande preocupação diz respeito a garantia da quitação dos débitos e regularização dos direitos previdenciários e trabalhistas a cada profissional, incluindo gráficos(as), radialistas e demais integrantes do corpo funcional. E, claro, a garantia de que a preservação das empresas e do corpo funcional também redunde na garantia do jornalismo que a sociedade pernambucana precisa,  sempre pautado na ética, na pluralidade de abordagens e na defesa dos direitos humanos.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e

Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)