YouTube censura conteúdo da Ponte Jornalismo que denuncia apologia a tortura

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A plataforma de vídeos YouTube, pertencente ao Google, removeu dois vídeos postados na conta da Ponte Jornalismo, que mostravam professores do curso preparatório para concursos da empresa AlfaCon exaltando tortura e execuções sumárias. O material faz parte de reportagens publicadas pelos jornalistas da agência nos dias 24 e 25 de outubro.

As reportagens mostram o presidente da escola, o ex-agente penitenciário federal Evandro Bittencourt Guedes, e o professor e ex-PM Norberto Florindo Júnior ensinando técnicas de tortura e execução de suspeitos. Os vídeos constavam na própria conta do Youtube da Alfacon. Segundo os profissionais da Ponte Jornalismo, no sábado, dia 26, a agência foi notificada pelo YouTube, a pedido da empresa Complexo Educacional Agora eu Passo, ligada à AlfaCon, alegando violação de direitos autorais, motivo pelo qual a plataforma removeu os vídeos publicados pela Ponte, e ameaçou também eliminar o canal da agência, caso voltasse a publicar conteúdo com violações de direitos autorais. Diante disso, os jornalistas da Ponte postaram o vídeo em outra plataforma.

O caso trata-se de um exemplo evidente de censura a conteúdo jornalístico, de interesse público, em que o direito autoral é colocado acima do direito à informação e às liberdades de imprensa e expressão. Além disso, a remoção desse tipo de conteúdo pode contribuir para a impunidade, na medida em que reduz a divulgação do caso, beneficiando a empresa e as pessoas denunciadas na reportagem.

A Federação Nacional dos  Jornalistas (FENAJ) solidariza-se com os jornalistas da Ponte e repudia a censura imposta pelo YouTube à agência, por publicação de conteúdo informativo. O ambiente da internet também deve obedecer aos princípios de liberdade de expressão e direito à informação, como exigem a legislação nacional e convenções internacionais de que o Brasil é signatário.