Um estudo técnico independente elaborado pela Mulinari Assessoria Econômica revela que o piso salarial dos jornalistas em Santa Catarina está significativamente defasado em relação ao mercado de trabalho e às exigências da profissão. A diferença chega a mais de R$ 1,5 mil mensais.
Atualmente, o piso da categoria no estado é de R$ 3.399,54, conforme a Convenção Coletiva vigente. No entanto, a análise baseada em dados oficiais indica que o valor adequado deveria estar próximo de R$ 5.170,00 (valores atualizados com INPC de abril de 2026) para garantir remuneração compatível com a formação e as competências exigidas dos profissionais.
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Salários até 40% menores que a média nacional
De acordo com o estudo, os jornalistas em início de carreira em Santa Catarina recebem, em média, cerca de 40% a menos do que profissionais da mesma área no restante do país.
A pesquisa utilizou dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho, considerando profissionais com até dois anos de vínculo empregatício, formação superior completa e até 30 anos de idade — critérios que refletem a realidade de entrada na profissão.
Mesmo dentro desse recorte, os salários pagos no estado ficam muito abaixo da média nacional, evidenciando uma distorção que não se explica apenas por diferenças regionais.
Distorção específica da categoria
O levantamento também mostra que o problema não está no mercado de trabalho catarinense como um todo, mas sim em uma distorção específica na remuneração dos jornalistas.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores compararam a profissão com outras ocupações que exigem competências semelhantes, como produção de conteúdo, análise de informações, comunicação e trabalho em equipe.
O resultado: em diversas dessas profissões, os salários de entrada são superiores aos pagos aos jornalistas em Santa Catarina, apesar de exigirem nível de qualificação equivalente.
Piso deveria estar próximo de R$ 5 mil
A partir de uma metodologia que cruza salários de profissões similares e o grau de compatibilidade entre competências, o estudo estimou um piso adequado para a categoria no estado.
O valor calculado é de R$ 4.982,33, já corrigido pela inflação até abril de 2026.
Na prática, isso significa que o piso atual está cerca de 46% abaixo do nível considerado adequado, reforçando a necessidade de uma política de valorização salarial.
Custo de vida não justifica diferença
Outro ponto analisado pelo estudo foi o custo de vida em Santa Catarina. A conclusão é que não há diferenças estruturais relevantes entre capital e interior que justifiquem a manutenção de salários mais baixos.
Embora existam variações pontuais, como maior peso do aluguel nas grandes cidades e do transporte no interior, o impacto da inflação sobre o orçamento das famílias é semelhante no longo prazo.
Isso reforça a viabilidade de um piso regional unificado, em patamar mais elevado.
Base para a campanha salarial 2026
Os dados do estudo devem embasar a pauta de reivindicações dos jornalistas catarinenses para a campanha salarial de 2026, que será definida em assembleia da categoria.
Para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Santa Catarina (SJSC), o levantamento oferece base técnica para enfrentar um problema histórico:
“Os números mostram que não se trata apenas de reajuste, mas de corrigir uma distorção estrutural. O piso atual não corresponde à formação, às competências e à responsabilidade do trabalho jornalístico”, afirma o presidente do SJSC, Fábio Bispo.
A expectativa é que a discussão sobre o novo piso e a política de valorização ganhe centralidade nas negociações com as empresas de comunicação para a data-base 2026, que é em 1º de maio.






