Curso gratuito em Fortaleza debate estratégias de enfrentamento à extrema direita na batalha cultural

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Com a deputada federal Sâmia Bonfim, o deputado estadual eleito Leo Suricate, pesquisadores, jornalistas, comunicadores e movimentos sociais, curso discutirá a disputa de narrativas, a mobilização da população e como enfrentar o poder das plataformas digitais

Como a extrema direita tem conquistado espaço na disputa de ideias, valores e imaginários? E quais estratégias podem ser construídas para enfrentar esse avanço e fortalecer uma cultura política comprometida com os direitos humanos e a democracia? Essas são algumas das questões que orientam o curso “Contra-atacar: para entender e vencer a batalha cultural”, promovido pelo DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia, de 6 a 8 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza (CE).

A iniciativa parte do reconhecimento de que a disputa política não se limita às instituições e aos processos eleitorais. Como bem demonstrado nas eleições deste ano, tanto devido à interferência das plataformas digitais quanto da mobilização nas redes e nas ruas, essa disputa cotidiana acontece no campo da cultura, da comunicação e dos valores que orientam a vida em sociedade. Nesse terreno, a extrema direita tem ampliado sua capacidade de mobilização por meio da produção de narrativas, da exploração de conflitos sociais, da circulação de desinformação e da atuação nas plataformas digitais. A esquerda, por outro lado, mostrou que tem condições de contra-atacar.

Em sua terceira edição, o curso anual do DiraCom reunirá pesquisadores, jornalistas, comunicadores, representantes de movimentos sociais, ativistas e produtores de conteúdo para analisar casos internacionais, como o da Argentina, e a mais recente eleição no Brasil. A proposta é articular reflexão crítica e experiências concretas, aproximando diferentes campos de atuação e estimulando a construção de alternativas de comunicação contra-hegemônica.

Comunicação, mobilização e saídas frente ao poder das plataformas em debate

A programação começa na sexta-feira (6), às 19h, com a mesa de abertura “A estratégia de avanço da extrema direita na América Latina e como virar o jogo”. O debate contará com a participação da jornalista e escritora argentina Valeria Di Croce, do pesquisador Pedro Telles, do deputado estadual eleito e agitador cultural Leo Suricate e de Mayra Lima, pesquisadora e integrante do DiraCom.

No sábado (7), a programação terá início às 9h com a mesa “Como a extrema direita está ganhando a juventude — e o que fazer”. O encontro discutirá a presença de valores e discursos da direita e da extrema direita entre jovens, considerando o papel das redes sociais, dos influenciadores, do humor, dos games e das comunidades digitais na produção de identificação e pertencimento. A mesa reunirá Mércia Alves, pesquisadora do CEBRAP e professora da FESPSP; Biana, produtora de conteúdo e integrante do DiraCom d do projeto organica.social; Angela Abuk, graduanda em Ciências Sociais pela UFC e integrante da Fúria Juventude Ecossocialista; e Beatriz Mariano, técnica em agropecuária, dirigente do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) no Ceará e integrante da Rede Estadual de Juventudes da Cáritas.

Às 11h, a mesa “O papel do jornalismo e da comunicação popular na disputa política” reunirá experiências do jornalismo profissional, da comunicação dos movimentos sociais e de iniciativas independentes. A discussão abordará os desafios de produzir informação, alcançar públicos amplos e fortalecer uma comunicação comprometida com a democracia. Participam do debate Samira Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Ivan Moraes, jornalista e integrante do DiraCom; Aline Oliveira, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e mestra em Comunicação pela UFC; Luan Tremembé, integrante da coordenação da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor); e Kamila Fernandes, professora da UFC, doutora em Comunicação pela Universidade do Minho e realizadora do podcast As Cunhãs.

Às 14h, a roda de conversa “Como barrar a extrema direita? Iniciativas dos movimentos sociais” abrirá espaço para a troca de experiências de organizações, coletivos e movimentos sociais. A proposta é identificar estratégias de mobilização, formas de disputar valores e imaginários e possibilidades de articulação entre as ações nas redes e nos territórios.

O poder econômico e comunicacional das grandes empresas de tecnologia será tema da mesa “Políticas para enfrentar o poder das plataformas”, às 16h. O debate abordará a necessidade de políticas públicas para garantir transparência, diversidade, direitos e democracia no ambiente digital, incluindo os desafios da regulação das plataformas e da construção da soberania digital. As saídas serão discutidas por Samia Bonfim, deputada federal pelo PSOL-SP; Helena Martins, professora da UFC, secretária-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e integrante do DiraCom; Jamila Venturini, diretora-executiva da organização latino-americana Derechos Digitales; Jonas Valente, professor do IESB e da UFC, pesquisador do Oxford Internet Institute e integrante do DiraCom; e o cacique Roberto Anacé, liderança do povo indígena Anacé.

No domingo (8), às 10h, o curso encerra sua programação com três oficinas simultâneas, voltadas à experimentação de estratégias criativas de comunicação e mobilização. A Oficina de Narrativas – Teoria e Prática para produção no YouTube, conduzida pelo roteirista, videomaker e criador de conteúdo Thiago Guimarães, integrante do DiraCom, abordará possibilidades de produção, posicionamento e circulação de conteúdos audiovisuais para disputar narrativas e mobilizar públicos.

Já a oficina Mobilização com intervenção urbana, conduzida pelo consultor em arte e educação, grafiteiro e integrante do Coletivo Aparecidos Políticos Marquinhos Abu, explorará a cidade como espaço de disputa simbólica e política, por meio de cartazes, intervenções artísticas, ações de rua e ocupação criativa do espaço público.

Por fim, a oficina Luta ideológica: conteúdos para ganhar corações e mentes nas redes e além delas, ministrada por Renato Ribeiro, publicitário, mestre e doutorando em Comunicação, abordará estratégias de análise de dados e produção de conteúdos para disputar sentidos e fortalecer perspectivas emancipatórias dentro e fora dos ambientes digitais.

Serviço
Curso: Contra-atacar: para entender e vencer a batalha cultural
• Data: 6 a 8 de novembro de 2026.
• Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – Fortaleza (CE).
• Inscrições: https://cursos.diracom.org/static/divulgacaocursopresencial2026fortaleza.html?courseid=16
• Público: estudantes, profissionais de comunicação, integrantes de movimentos sociais, ativistas e demais pessoas interessadas nos temas.
• Realização: DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia, com apoio do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

Sobre o DiraCom

O DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua nos âmbitos nacional e internacional, a partir do paradigma dos direitos humanos, com ênfase na defesa e promoção do direito humano à comunicação.