O 9º Belt and Road Journalists Forum, realizado de 12 a 18 de outubro, na província de Jiangsu, na China, reuniu quase 100 jornalistas de mais de 50 países e regiões do mundo para debater os desafios da comunicação diante das transformações globais.
Com o tema “Convergência e Conectividade, Inovação e Progresso, Transformação da Mídia em meio às Mudanças Globais”, o encontro promoveu o intercâmbio de experiências e reflexões sobre o futuro do jornalismo, a inovação tecnológica e o fortalecimento da cooperação internacional.
Papel do Jornalismo Econômico
A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro (foto), participou do fórum e de uma das sessões temáticas, dedicada à cobertura econômica e ao papel da comunicação no fortalecimento da confiança e na promoção da cooperação internacional em um cenário de mudanças globais, com destaque para as possibilidades de aproximação entre Brasil e China.
Para Castro, o jornalismo econômico tem um papel fundamental na compreensão das transformações globais, pois a economia não se resume a números, mercados e investimentos: ela impacta diretamente a vida das pessoas, o acesso a direitos e as oportunidades de desenvolvimento.
“A visita a Changzhou, especialmente a Qingguo Lane e ao museu dedicado à trajetória de Zhou Youguang, reforçou a importância de humanizar o olhar sobre a economia, reconhecendo que, por trás do crescimento, existem pessoas, conhecimentos, histórias e experiências que ajudam a construir o futuro das sociedades”, disse em sua fala.
Para a dirigente sindical brasileira, cabe ao jornalismo investigar os resultados das políticas econômicas, questionar como a riqueza é distribuída e avaliar se o crescimento se traduz em melhores condições de vida, redução das desigualdades e desenvolvimento social.
“Nesse contexto, a cooperação entre Brasil e China e o fortalecimento dos BRICS representam oportunidades estratégicas para ampliar o intercâmbio científico, tecnológico, comercial e cultural, contribuindo para a construção de uma ordem mundial multipolar, mais equilibrada e pacífica”, frisou Castro.
Segundo Castro, o jornalismo pode aproximar os povos, promover o diálogo entre diferentes realidades e ampliar a compreensão sobre os desafios e as oportunidades dessa parceria. Essa cooperação, contudo, deve estar fundamentada na independência profissional, na transparência e no compromisso com a informação de qualidade. “Mais do que noticiar o crescimento econômico, é necessário compreender seus efeitos sobre a sociedade e defender um modelo de desenvolvimento que combine prosperidade, justiça social, sustentabilidade e paz”, finalizou.
Visitas mostram inovação tecnológica

A programação também incluiu visitas às cidades de Nanjing e Changzhou e debates sobre inteligência artificial, checagem de fatos, diálogo entre civilizações e cooperação entre os países do Sul Global. “Durante as visitas técnicas em Changzhou, conhecemos experiências que demonstram a capacidade chinesa de combinar inovação tecnológica, desenvolvimento industrial e busca por soluções para os desafios contemporâneos”, comentou.
“Na Ninebot, referência em mobilidade inteligente e robótica; na Wanbang Digital Energy, dedicada ao desenvolvimento de soluções para redes de recarga e sistemas de energia; e na NR Electric Power Electronics, especializada em equipamentos elétricos avançados e transmissão de energia, pude observar exemplos da inovação industrial chinesa e dos avanços relacionados à transição energética”, disse Castro.
A participação da FENAJ reafirma a importância do intercâmbio entre jornalistas e organizações de imprensa de diferentes países, fortalecendo redes de colaboração, a circulação de informações de qualidade e o respeito à diversidade cultural.
“O jornalismo tem papel fundamental na construção de pontes entre os povos, na aproximação entre nações e na promoção do diálogo em um mundo cada vez mais conectado”, afirmou Samira de Castro.






