A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) integrou nesta quinta-feira (22/1) uma mobilização conjunta que ecoou em diversas capitais brasileiras e no exterior.
Os representantes de movimentos sindicais, partidos políticos e organizações de classe manifestaram-se em frente à Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, contra a intervenção militar em solo venezuelano.
A manifestação, convocada pela Federação Sindical Mundial (FSM), reuniu diversas entidades sindicais e movimentos populares que classificam a ação estadunidense como um crime contra o direito internacional e uma violação direta à soberania do povo venezuelano.
Em seu discurso durante o ato, o secretário de Relações Institucionais da FENAJ, Antônio Paulo Santos, afirmou que não há legitimidade na invasão, rejeitando as narrativas de missão humanitária ou defesa da democracia frequentemente utilizadas para justificar o conflito.
A Federação dos Jornalistas destacou a gravidade da postura de setores da imprensa brasileira e internacional, que estariam tratando a invasão com normalidade, como se fosse um movimento inevitável.
Papel crítico do jornalismo
Para a FENAJ, quando a mídia suaviza a violência e repete versões oficiais sem questionamento, ela deixa de informar para se tornar cúmplice da guerra.
“Naturalizar a invasão é também uma forma de violência. Silenciar sobre seus impactos humanos é cumplicidade”, afirmou o representante da entidade, reforçando que o papel dos jornalistas é questionar o poder e defender o direito dos povos à autodeterminação.
A FENAJ encerrou sua participação defendendo uma imprensa livre, crítica e comprometida com a verdade, em oposição à hegemonia.
Denúncias de sequestro e repressão policial
O ato também contou com as presenças de Pedro Batista e Rodrigo Borges, representantes da Internacional Antifascista e do Comitê Abreu e Lima. O general José Inácio de Abreu e Lima (1794-1869) é considerado um dos primeiros pensadores a alertar sobre as intenções expansionistas e a hegemonia dos Estados Unidos na América Latina durante o século XIX
Segundo Pedro Batista, o presidente legítimo da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a parlamentar Cília Flores, foram sequestrados e estão sendo mantidos como reféns em solo norte-americano.
Ele também criticou a forte presença da Polícia Militar do Distrito Federal no local, relatando que a pequena manifestação foi cercada por 13 viaturas e por um comando de tropa com postura provocadora.
“Estamos aqui com o povo venezuelano contra o imperialismo em defesa da soberania dos povos”, declarou o representante do Comitê Abreu e Lima.
Mobilização nacional e internacional
Antônio Lima, representante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da corrente sindical Unidade Classista (filiada à FSM), ressaltou que a mobilização faz parte de uma jornada internacional de lutas, com atos realizados em diversas embaixadas e consulados. No Brasil, além de Brasília, ocorreram protestos no Rio de Janeiro e em São Paulo para denunciar a ingerência imperialista.
Por fim, as entidades sindicais reafirmaram a necessidade de continuar as mobilizações até que a soberania venezuelana seja restabelecida.
“É um momento de falar que nós não aceitamos a intervenção imperialista e a necessidade de mobilizar as forças políticas, centrais sindicais e movimentos populares para lutar contra essa ingerência”, concluiu Lima, defendendo o retorno de Maduro ao exercício de seu mandato legítimo”, concluiu Antônio Lima, do PCB e da Unidade Classista.





