Jornalistas são agredidos em Fortaleza e impedidos de entrar no MPE em Sergipe

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As agressões à liberdade de imprensa prosseguem de norte a sul do país. No dia 20 de agosto duas equipes de TV foram agredidas em Fortaleza. E no dia 22, em Aracaju, profissionais foram impedidos de entrar no Ministério Público Estadual para realizar cobertura jornalística. Os Sindicatos dos Jornalistas do Ceará e de Sergipe protestaram.

No caso registrado em Fortaleza, uma equipe de reportagem da TV Ceará e outra da TV Cidade, foram agredidas por ambulantes durante uma operação da Prefeitura da capital cearense para desocupar a Rua José Avelino e a Avenida Alberto Nepomuceno. Segundo relato de um dos agredidos, os profissionais de imprensa foram atacados com pedras por feirantes, sem que os fiscais do município tomassem qualquer atitude.

A presidente em exercício do Sindjorce, Samira de Castro, repudiou as agressões e criticou a banalização da violência contra jornalistas. “O poder público e os veículos de comunicação, responsáveis solidários pela segurança dos repórteres, não podem assistir passivos a escalada da violência contra o livre exercício da profissão”, afirmou.

Samira cobrou, também, a obrigação das empresa de comunicação de garantir condições mínimas de segurança a seus empregados, bem como a responsabilidade do governo com a segurança não só para os profissionais da informação, mas a todos os cidadãos.

Com que roupa que eu vou?
Em nota lançada no dia 22 de agosto, o Sindicato dos Jornalistas de Sergipe protestou contra a postura do Ministério Público Estadual – MPE -, que na manhã de 228 de agosto, impediu que profissionais de imprensa entrassem em sua sede para realizar cobertura jornalística “não estarem devidamente trajados”. Uma portaria, publicada no dia 22 de julho e pouco divulgada, proíbe que as pessoas entrem no órgão trajando “roupas estranhas às normas da Casa.

“Impedir o acesso dos profissionais de Comunicação que estão exercendo seu trabalho de fornecer informações sobre as atividades do órgão, e que dessa forma prestam serviços relevantes para a sociedade, não coaduna com o atual processo de transparência e acessibilidade que o serviço público deve ter como foco”, sustenta o Sindicato, emendando um questionamento: o que dizer do cidadão humilde que precisa fazer alguma denúncia no órgão, o que fará? Terá que usar dos seus parcos recursos para comprar roupas “apropriadas” para adentrar do MPE?