Seguranças da linha amarela do metrô de SP agridem três repórteres fotográficos

Outros 2 profissionais de imprensa foram feridos, um pela PM, outro por um manifestante

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A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos no Estado de São Paulo (Arfoc-SP) repudiam a ação de agentes de segurança da linha 4 – amarela do metrô, que agrediram repórteres fotográficos e danificaram os equipamentos dos profissionais, que registravam os acontecimentos da manifestação deste sábado, 3 de julho, no centro de São Paulo. Um fotojornalista chegou a ser atingido no rosto por uma pedra atirada por um segurança, mas por sorte estava protegido. As entidades cobram providências da ViaQuatro, empresa que administra a linha do metrô, em apurar as responsabilidades e reparar os danos sofridos pelos profissionais. Outros dois profissionais foram feridos, um pela PM e outro por um manifestante.

Pedra arremessada no fotográfo Jardiel Carvalho desviou na máscara e feriu a mão do profissional
Pedra arremessada no fotográfo Jardiel Carvalho desviou na máscara e feriu a mão do profissional

O caso aconteceu em frente à estação Higienópolis-Mackenzie do metrô, na Rua da Consolação. Manifestantes atiraram objetos contra agentes de segurança que estavam no canteiro central da rua, com escudos, e enquanto recuavam em direção à estação, parte dos agentes começou revidar, com golpes de cassetete. Os repórteres fotográficos que cobriam a ação estavam agrupados na lateral, mas mesmo assim foram agredidos pelos seguranças. Um guarda atirou uma pedra na direção do rosto do repórter fotográfico Jardiel Carvalho, que estava protegido por uma máscara facial total. A pedra desviou na máscara e acabou atingindo a mão direita do profissional, causando ferimentos nos dedos.

O repórter Amauri também teve o equipamento quebrado por um golpe de cassetete
O repórter Amauri também teve o equipamento quebrado por um golpe de cassetete

Também foram vítimas de violência os repórteres fotográficos Amauri Nehn e Karina Iliescu. Enquanto os agentes de segurança recuavam, um dos guardas avançou sobre Karina e deu um golpe de cassetete em sua cabeça. A profissional estava de capacete, mas o golpe atingiu sua câmera fotográfica, que foi totalmente danificada. “Foi muito forte, eu dei um grito ali na hora. Foi tudo muito rápido, eu fiquei em choque”, conta Karina. Amauri, que estava próximo, também teve o equipamento quebrado por um golpe de cassetete. “Um segurança do metrô veio por trás da gente, e nesse momento bateu com o cassetete na minha câmera, quebrando a minha lente, e quebrado a baioneta da minha câmera”, diz Amauri.

Câmera de Karina Iliescu quebrou depois de golpe de cassetete de segurança do metrô

Outra vítima de violência foi o fotojornalista Adriano Tomé. No caso dele, as agressões partiram de um policial militar. Junto a outros profissionais, ele registrava a prisão de um manifestante pela polícia, na Rua da Consolação, quando tomou dois golpes de cassetete, um na mão e outro no ombro. Tomé conta que estava identificado com capacete de imprensa, e que naquele momento os PMs ameaçavam os repórteres fotográficos caso aparecessem fotos deles na imprensa.

O repórter fotográfico Rogério de Santis também foi ferido, vítima de uma pedra lançada por manifestantes que atingiu sua cabeça. Ele teve um corte de 1,5 cm na parte de trás da cabeça, levou três pontos, mas passa bem.

As entidades entraram em contato com os profissionais vítimas de violência, manifestaram sua solidariedade e orientaram que registrassem boletim de ocorrência denunciando os fatos. E exigem do governo paulista que a PM assegure o trabalho dos fotojornalistas, sem qualquer tipo de ameaça ou agressão.

FENAJ, SJSP e Arfoc-SP ainda exigem da direção da ViaQuatro, (pertencente ao grupo CCR), responsável pela administração da linha amarela do metrô, a devida responsabilização pelas agressões, e reparação pelos danos materiais, para que casos como esse não se repitam. Também pedimos que a ViaQuatro esclareça as circunstâncias da atuação dos seguranças, e que a empresa repense o fardamento dos agentes, que chegaram a ser confundidos pelos profissionais da imprensa como sendo policiais militares, por conta da semelhança do uniforme e equipamentos.