FENAJ e Comissão de Mulheres repudiam ataques misóginos contra a Agência Pública

21

Violência de gênero e intimidação contra jornalistas são inaceitáveis e merecem repúdio

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da FENAJ vêm a público manifestar o mais absoluto e veemente repúdio aos recentes ataques misóginos, difamatórios e covardes perpetrados pelo influenciador de extrema direita Paulo Figueiredo e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro contra a Agência Pública de Jornalismo Investigativo e sua diretora executiva, Natalia Viana.

Nos últimos dias, Paulo Figueiredo publicou uma série de postagens violentas na rede social X, referindo-se de forma abjeta à Agência Pública e direcionando ataques machistas à sua diretora e equipe. Tais agressões foram amplificadas pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que compartilhou as publicações para inflamar sua base de apoiadores. Como consequência direta dessa conduta irresponsável, a diretora e a própria agência passaram a ser alvo de uma avalanche de mensagens agressivas e ameaçadoras, configurando uma clara tentativa de intimidação contra uma redação formada majoritariamente por mulheres.

Este grave episódio, que constitui uma flagrante tentativa de silenciamento, ocorreu logo após a Agência Pública exercer seu dever profissional e ético de solicitar manifestações de ambos para reportagens de evidente interesse público. As investigações jornalísticas revelaram uma doação eleitoral de US$ 10 mil realizada por Figueiredo a uma deputada norte-americana pouco antes de esta propor um projeto de lei contra autoridades brasileiras, bem como detalharam o padrão de vida luxuoso mantido pelo influenciador e por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Em vez de responderem de forma democrática, os agressores optaram pela difamação de cunho sexual contra profissionais da imprensa, sob a justificativa de que jornalistas críticos devem ser tratados sob ultrajes.

O comportamento de ambos trata-se de uma conduta reiterada e insere-se em um contexto estrutural de violência de gênero e hostilidade sistemática contra mulheres jornalistas. Investigar fatos de interesse público, fiscalizar o poder e oferecer à sociedade informações qualificadas não pode ser alvo de qualquer forma de intimidação ou agressão. A tentativa de calar o jornalismo investigativo por meio de ofensas de cunho sexual agride não apenas as profissionais atingidas, mas atenta frontalmente contra os princípios da dignidade da pessoa humana, da liberdade de imprensa e da própria democracia.

A FENAJ e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da FENAJ exigem que as autoridades competentes e as plataformas de redes sociais tomem providências imediatas e rigorosas para apurar e responsabilizar civil e criminalmente os agressores. Não toleraremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes sexistas. Manifestamos nossa irrestrita solidariedade à jornalista Natalia Viana e a toda a equipe da Agência Pública, reafirmando nosso compromisso inegociável com a liberdade de expressão e com a construção de uma sociedade livre de misoginia e opressão.

Brasília, 31 de agosto de 2026.

Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)
Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da FENAJ