FENAJ, SJPMG e Coletivo Lena Santos repudiam ataque do governador Mateus Simões à jornalista

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A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) e o Coletivo Lena Santos de Jornalistas Negras e Negros repudiam a postura do governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), durante sabatina realizada pelo jornal O Tempo na quarta-feira (16/9), quando o político atacou e tentou descredibilizar a premiada jornalista Tatiana Lagôa, editora de Cidades de O Tempo.

As entidades manifestam solidariedade à profissional e reafirmam seu compromisso com a defesa do livre exercício do jornalismo e da liberdade de imprensa.

Durante a sabatina, transmitida ao vivo pelo canal de O Tempo no YouTube, Tatiana Lagôa questionou Simões sobre a atuação da Advocacia-Geral do Estado para tentar reverter a suspensão do licenciamento ambiental na Serra do Curral, patrimônio protegido em nível federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e perguntou se ele, caso eleito novamente, manteria essa postura.

Em vez de responder objetivamente às questões apresentadas, Simões interrompeu a jornalista antes da conclusão de sua pergunta e, em tom hostil, chamou-a de “desleal” e afirmou que ela estaria “defendendo uma tese política”.

Disse ainda que Tatiana “diminui o tamanho da imprensa” e classificou sua pergunta como uma “manifestação de posição ideológica”, sugerindo que ela disputasse um cargo eletivo. “Vou deixar você falar e não vou te responder porque você é uma manifestação de posição ideológica e eu não estou aqui para debater com nenhum jornalista”, afirmou.

A FENAJ, o SJPMG e o Coletivo Lena Santos consideram inadmissível que uma jornalista, mulher negra, seja constrangida, desqualificada ou transformada em alvo de ataques pessoais por exercer sua função profissional e formular questionamentos de interesse público.

A atuação de jornalistas em entrevistas, sabatinas e coberturas eleitorais pressupõe justamente a possibilidade de fazer perguntas incômodas, cobrar explicações e confrontar agentes públicos com fatos e decisões que precisam ser esclarecidos perante a sociedade. O livre exercício do jornalismo é uma prerrogativa fundamental da democracia.

A FENAJ, o SJPMG e o Coletivo Lena Santos se solidarizam com Tatiana Lagôa. As entidades permanecerão vigilantes diante de qualquer tentativa de cerceamento, intimidação ou descredibilização do trabalho jornalístico e seguirão atuando em defesa da liberdade de imprensa, da dignidade profissional e do direito da sociedade à informação.

As entidades também não aceitam a falta de decoro dirigida a uma profissional mulher e negra no exercício de sua atividade jornalística.