Dia Mundial do Trabalho Decente: “Jornalistas devem se reconhecer como trabalhadores e lutar por nossas causas coletivas”, afirma FIJ

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Para marcar o Dia Mundial do Trabalho Decente, celebardo em 7 de outubro, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e suas afiliadas em todo o mundo convocam jornalistas e profissionais da mídia a reconhecerem seu direito ao trabalho decente, um direito humano fundamental, e a se organizarem e se sindicalizarem para garantir dignidade no trabalho.

“Por trás de cada contrato e cargo, existe um trabalhador que deve ter seus direitos respeitados. É essencial que nós, jornalistas, nos reconheçamos como trabalhadores e lutemos por nossas causas coletivas. Organizarmo-nos juntos, filiarmo-nos a sindicatos e defender nossos direitos no trabalho são as únicas maneiras de proteger nossa profissão”, afirmou a presidente da FIJ, Zuliana Lainez.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), trabalho decente significa dignidade, igualdade, remuneração justa e condições de trabalho seguras. No entanto, com muita frequência, essas condições não são atendidas no setor da mídia. Jornalistas e profissionais da mídia muitas vezes sacrificam seu direito a condições de trabalho decentes em nome de sua vocação como jornalistas, ou seja, servir à democracia e defender o direito do público à informação. 

Jornalistas em todo o mundo são mal remunerados e trabalham longas horas em condições precárias. Muitas vezes, sequer possuem contrato. Uma pesquisa recente da Federação de Jornalistas Africanos (FAJ), o grupo pan-africano da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), mostrou que as condições de trabalho dos jornalistas africanos se deterioraram drasticamente nos últimos anos. Alarmantes 61% dos entrevistados relataram que sua renda proveniente do jornalismo não cobre suas necessidades básicas de vida, enquanto apenas 4% indicaram que seus salários são suficientes para cobrir os custos essenciais.

Uma pesquisa realizada recentemente por membros da E tū na Nova Zelândia revelou que 60% dos entrevistados não se viam mais trabalhando como jornalistas daqui a dez anos. No Brasil, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ)  publicou um novo estudo que indica que 50% dos jornalistas e profissionais da mídia entrevistados apresentaram sintomas de depressão, insônia e estresse associados à violência no ambiente de trabalho. 

Em todo o mundo, os sindicatos exigem condições de trabalho dignas no setor da mídia e o direito dos jornalistas de se organizarem.Na Namíbia, a FIJ denunciou empregadores por ameaçarem funcionários de dois veículos de comunicação, o Free Press of Namibia e o Namibia Media Trust, com medidas disciplinares por falta de licença médica. A FIJ também denunciou esses veículos por monitorarem seus funcionários durante o expediente. Em Hong Kong, a sucursal da BBC demitiu cinco jornalistas após anos de pressão devido à participação deles na Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA). Nos Estados Unidos, funcionários do jornal Le Monde, em Los Angeles, realizaram um protesto de um dia contra práticas administrativas injustas durante as negociações do acordo coletivo.

O poder da organização 

As ações recentes demonstram que os sindicatos desempenharam um papel crucial no apoio a todos os trabalhadores da mídia, fortalecendo sua organização coletiva e defendendo seu direito a condições de trabalho dignas e justas.

Nos Estados Unidos, a Suprema Corte decidiu em outubro que os antigos proprietários do Pittsburgh Post-Gazette devem pagar milhões de dólares em indenizações aos membros do Sindicato dos Jornalistas de Pittsburgh (Newspaper Guild of Pittsburgh) por implementarem cortes salariais e outras mudanças unilaterais em suas condições de trabalho. Os trabalhadores do Pittsburgh Post-Gazette, que pertencem ao Sindicato dos Jornalistas, afiliado à FIJ, entraram em greve por três anos devido a práticas injustas. 

Na Alemanha, a emissora pública Deutsche Welle reverteu sua decisão de abolir o serviço em língua grega em setembro, após uma ação conjunta do Sindicato dos Jornalistas Alemães (dju) no ver.di e do Sindicato dos Jornalistas dos Jornais Diários de Atenas (JUADN) na Grécia, entre outros. A medida evitará perdas de empregos e reforçará o papel essencial da mídia de serviço público na informação da população. 

Na Costa Rica, o Sindicato Costarriquenho de Jornalistas e Comunicadores (SINAPEC)garantiu, em agosto, uma vaga no Conselho Nacional de Salários para o setor operário, juntamente com outros colegas da confederação sindical do país. A defesa dos interesses dos trabalhadores é o cerne da atividade sindical.

Na Turquia, jornalistas e funcionários da mídia da sucursal da AFP em Istambul encerraram sua greve de 12 dias em julho, conquistando um aumento salarial de 27%. A medida foi resultado de uma paralisação liderada pelo Sindicato dos Jornalistas da Turquia (TGS) e totalmente apoiada pela FIJ. 

No Dia Mundial do Trabalho Decente, a FIJ e suas afiliadas apelam às organizações de mídia e aos governos de todo o mundo para que garantam os direitos a que todos os trabalhadores da mídia têm direito, incluindo:

  • Salários justos
  • Dignidade no trabalho
  • Segurança e proteção no terreno, nas redações e online.
  • Ter voz ativa nas mudanças relacionadas à tecnologia.
  • O direito de se organizarem
  • Acordos coletivos fortes

A presidente da IFJ, Zuliana Lainez, afirmou: “Jornalistas são trabalhadores, e trabalho decente é um direito fundamental, não um privilégio. Os sindicatos são essenciais para defender salários justos, empregos seguros e condições de trabalho dignas em todo o setor da mídia, além de proteger os trabalhadores de pressões, assédio e abusos. No Dia Mundial do Trabalho Decente, reafirmamos que uma força de trabalho da mídia forte e organizada é vital para garantir que os jornalistas possam exercer suas funções com segurança, independência e dignidade.”