* Elstor Hanzen
Nunca antes no Brasil se falou tanto em corrupção em rede nacional do que nos últimos anos, a ponto de tornar o assunto obrigatório nas conversas do dia a dia. Pena que é uma revelação de corrupção seletiva: a do Governo do PT. A prova mais cabal disso se materializou nas capas das revistas nacionais desta semana – da Veja, da Época e da IstoÉ. Aliás, não se concretizou desta vez, porque os personagens em destaque não eram petistas, mas, sim, o deputado e presidente da Câmara Eduardo Cunha, que vive chantageando o Governo e atrasando o País. Mais um triste episódio na conta da imprensa linear, que perde credibilidade e espaço a cada segundo para a mídia digital.
Uma pergunta essencial tem que ser feita. Por que assinar e ler publicações que manipulam e escondem os fatos? Se alguém vê motivos para se submeter a tal jornalismo, só pode ser para ter suas teses partidárias e ideológicas representadas, mesmo que apartado da realidade. Só faz sentindo em caso de consciência seletiva, ou seja, quando a corrupção envolver os aliados e simpatizantes, a melhor solução é esconder a sujeira debaixo do tapete.
Com tal posicionamento, a mídia deixa claro que importa tratar da corrupção de determinada administração, não combater a prática em si, como um mal do Brasil enraizado há séculos na nossa sociedade. E agora o comportamento das revistas escancara que o assunto é tratado outra vez com medidas e pesos distintos, de acordo com os personagens envolvidos. Pois as latentes denúncias contra Cunha e suas contas em bancos Suíços, além do envolvimento do nome dele em contratos da própria Petrobras no exterior, parece tudo não ter importância para o jornalismo.
Agora imagine essa situação no início da metade do século passado, quando nem havia Internet para fazer contraponto, e as vítimas da imprensa eram Getúlio e Jango. No momento que as narrativas e a pressão da mídia derrubaram Jango e Getúlio, este um homem de visão, que ainda tentou resistir com a criação de um jornal, a Última Hora, mas foi em vão diante da avalanche das denúncias dos grandes jornais. Portanto, mesmo com todas as mudanças e avanços, a imprensa mantém sua essência no século XXI.
Mas graças a atual facilidade de acesso à informação e interação das pessoas com as notícias, especialmente por meio das redes sociais, a mídia tradicional já não tem tanta força em pautar a sociedade de forma vertical. E por isso, quando posicionamentos tão contratantes sobre um tema são assumidos de forma ostensiva pela imprensa, como o fizeram as revistas nas edições desta semana, o jornalismo perde credibilidade e as revistas acabam causando sua própria morte, infelizmente.
* Jornalista






