Audálio Dantas, um jornalista e cidadão de fato

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Profissional competente e comprometido com as lutas da sociedade e da categoria está na história do Jornalismo brasileiro

O jornalista Audálio Dantas, ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), morreu na tarde de ontem, 30 de maio, na cidade de São Paulo. Tinha 88 anos, dos quais mais de 60 foram dedicados ao Jornalismo e à organização da categoria.

Incansável, não desistiu da luta como não desistem os humanistas que acreditam num mundo melhor. Era integrante da atual Comissão Nacional de Ética, para a qual fora eleito em eleição nacional realizada em 2016, junto com a da diretoria da FENAJ.

Audálio é um dos bons que entra para a história do Jornalismo brasileiro por sua atuação profissional, sindical e cidadã. Por sua vida e obra, ganhou o direito à imortalidade, um direito almejado por todos mas só consentido aos que foram realmente imprescindíveis.

Alagoano nascido em Tanque D’Arca, em 8 de julho de 1929, Audálio fez carreira no Jornalismo em São Paulo e passou por redações de importantes veículos de comunicação, como as revistas O Cruzeiro e Realidade.

Por sua atuação profissional, sempre sensível às causas humanitárias e às lutas do povo brasileiro, recebeu, em 1981, o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas.

Entre as muitas reportagens de destaque que fez em sua história profissional, está a revelação, na década de 1960, de Carolina de Jesus, catadora de papel e moradora da favela paulistana do Canidé que registrava seu cotidiano de dificuldades em um diário. Carolina tornou-se escritora de sucesso com vários livros publicados no Brasil e traduzidos para outros idiomas. O mais famoso deles é Quarto de Despejo.

Audálio Dantas tornou-se admirado também por sua atuação sindical. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo de 1975 a 1978. Enfrentou a ditadura civil-militar, denunciando o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, nos porões do Doi-Codi. Com sua luta para desmascarar a versão do “suicídio” de Vlado, Audálio contribuiu decisivamente para o movimento de combate à ditadura e pela redemocratização do país.

Sua liderança no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e sua destacada participação no combate à ditadura permitiram que Audálio fosse eleito deputado federal em 1978 pelo antigo MDB, uma frente que abrigava os opositores à ditadura, defendida pela Arena.

Audálio também fez história na FENAJ como primeiro presidente eleito pelo voto direto da categoria, em 1983. Ainda hoje, a Federação Nacional dos Jornalistas é a única entidade sindical nacional que faz eleições diretas para sua diretoria.

Destacou-se ainda como escritor, ganhando o Prêmio Jabuti em 2013, com o livro “As duas guerras de Vlado Herzog: da perseguição nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil”, lançado no ano anterior.

Mas mantinha sua simplicidade e a vontade permanente de dar sua contribuição a toda iniciativa de defesa da democracia, das liberdades de expressão e de imprensa, do Jornalismo e dos jornalistas. Por isso, participou de inúmeros eventos Brasil afora, ganhando mais e mais admiradores. Vai ficar na memória e no coração de muitos.

A FENAJ e a Comissão Nacional de Ética lamentam profundamente sua morte e se solidarizam com seus familiares e amigos.

Audálio está sendo velado na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e será cremado às 20 horas de hoje, no Cemitério Vila Alpina. Mas foi imortalizado por sua vida e obra.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ.

Comissão Nacional de Ética.