CUT vai reformular seu portal de notícias para integrar comunicação das entidades filiadas

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A Central Única dos Trabalhadores (CUT) reuniu seu Coletivo Nacional de Comunicação, nos dias 8 e 9 de agosto, para discutir a proposta de reformulação de seu portal de notícias e dar mais potência à comunicação sindical. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) participou da reunião, realizada na sede da entidade, em São Paulo, representada pela diretora de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral, Déborah Lima, também dirigente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará.

A proposta de reformulação do Portal da CUT foi apresentada aos participantes pelo secretário nacional da pasta, Roni Barbosa. Na avaliação de Roni Barbosa, o movimento sindical cutista está fragmentado na internet e a comunicação da CUT isolada. Daí a necessidade da construção coletiva de um veículo que some a audiência de todos os portais cutistas e aprofunde as discussões relativas ao mundo do trabalho. “Precisamos organizar um novo sistema de comunicação da Central para reagir ao golpe, que veio para nos massacrar”.

O dirigente denunciou os ataques à internet livre e convocou os jornalistas sindicais a se prepararem para reagir à limitação do alcance da plataforma por meio da integração dos sites de entidades cutistas ao novo Portal da CUT. “A ideia é dar acesso a muito mais informação no mesmo local, fugindo da fragmentação e concentrando os conteúdos produzidos pela imprensa sindical num único endereço eletrônico. O projeto é disponibilizar mais informações e produzir conteúdo jornalístico a partir da visão da classe trabalhadora”, explicou Roni.

Jornalismo

Convidado para a mesa de debates sobre “A comunicação da classe trabalhadora e a convergência digital”, o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), pesquisador de cibercultura e integrante da Comunidade do Software Livre, enfatizou que o novo portal precisa concentrar audiência e dialogar com diversos públicos. “É preciso desenvolver uma nova política para falar com a base, com o gamer, com o nerd, com o apreciador de futebol e de política”.  Segundo Sérgio Amadeu, a ideia do portal é correta por pretender concentrar o tráfego e as atenções na rede. Mas para atingir esses objetivos, investir no bom jornalismo é fundamental. “Para disputar o público, tem de ter reportagem e não só a opinião do dirigente sindical”, enfatizou.

Mais que atingir novos públicos via internet, o secretário adjunto de Comunicação da CUT Nacional, Greg Ferro, defendeu uma proposta ainda mais ousada para o jornalismo sindical: influenciar os grandes veículos de comunicação. “Precisamos pautar a mídia”, enfatizou.

Déborah, que também é assessora de comunicação da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam/CUT), afirmou que a proposta é viável, desde que as entidades invistam na produção de reportagens de interesse social. “A cobertura da Marcha dos Municipais do Ceará ocupou uma página inteira do jornal mais tradicional do Estado graças ao enfoque de relevante interesse social dado à atividade pela assessoria de comunicação”, exemplificou.

Dentro da proposta de organizar o conteúdo do novo Portal da CUT em editorias, Déborah sugeriu a divisão das equipes de reportagem de acordo com a expertise de cada jornalista e a realização de reuniões de pauta, nas quais seriam discutidos os assuntos a serem abordados na semana que se inicia e avaliadas as matérias produzidas na semana anterior. A jornalista Érica Aragão, também assessora de comunicação da CUT, sugeriu que a FENAJ assuma a coordenação das reuniões de pauta.

No segundo e último dia de debates, o público foi reunido em três grupos de trabalho para discutir a consolidação do projeto. “Nossas principais tarefas são adequar estados e ramos para caberem no projeto do novo Portal da CUT e mapear as ações de comunicação de nossas entidades sindicais”, afirmou Greg.

O projeto do novo Portal da CUT será apresentado à Direção Executiva da CUT, antes de ser validado pelos delegados e delegados de todo o pais, durante o Congresso Nacional Extraordinário da entidade, agendado para os dias 28, 29, 30 e 31 de agosto, em São Paulo. Após a aprovação do projeto no Congresso, a proposta será encaminhada às entidades cutistas no início de setembro.

Sindicatos

Também participaram da reunião em São Paulo Lúcia de Fátima Figueiredo, diretora da FENAJ e do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba e secretária de Comunicação da CUT Paraíba, além de dirigentes dos sindicatos de jornalistas de São Paulo, Sergipe e Mato Grosso. Ao final do primeiro dia da atividade, o grupo de dirigentes – todas mulheres -, fez um breve reunião na qual foi discutida a situação dos jornalistas nos cinco estados. As representantes dos estados relataram a dificuldade de mobilização das bases e reclamaram da falta de interesse da categoria pelas lutas sindicais. Déborah afirmou que esse não é um problema específico dos jornalistas, mas de todo o movimento sindical. No entanto, ponderou que é exatamente para mudar esse cenário que existem os sindicatos. “Não podemos reclamar que o mar balança. Mobilizar a categoria é responsabilidade nossa. Se não estamos atingindo esse objetivo, temos de rever as nossas práticas”.