A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro, participou, na quinta-feira (29/10), do seminário “O Jornalismo Resiste”, promovido pelo curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Centro de Artes e Comunicação (CAC), no Recife. O encontro reuniu estudantes, professores e pesquisadores para debater os desafios contemporâneos do jornalismo profissional e a defesa da democracia.
O seminário contou com mediação da professora Giovana Mesquita, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPE, e participação da pesquisadora Jadeanny Arruda e da professora Patrícia Paixão. A atividade foi realizada em parceria com o Observatório de Mídia da UFPE (Obmídia) e a Rádio Paulo Freire.
Durante sua participação, Samira apresentou a visão da FENAJ sobre temas centrais para o futuro da profissão, entre eles a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Diploma, a violência contra jornalistas, a chamada Lei do Multimídia, a sindicalização e a importância da organização coletiva da categoria.
Ao abordar a PEC do Diploma, a presidenta reafirmou a posição histórica da FENAJ em defesa da formação superior específica em Jornalismo como requisito para o exercício profissional. Destacou que a qualificação técnica, ética e teórica dos jornalistas é fundamental para garantir a qualidade da informação oferecida à sociedade e fortalecer o direito à comunicação. Também ressaltou a necessidade de superar os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2009, que derrubou a obrigatoriedade do diploma.
A violência contra jornalistas também esteve entre os assuntos discutidos. Samira chamou atenção para as ameaças, agressões, intimidações e tentativas de cerceamento do trabalho da imprensa, que atingem profissionais em diferentes regiões do país. Ressaltou que a liberdade de imprensa depende de condições seguras para o exercício da atividade jornalística e que o enfrentamento à violência exige políticas de proteção, responsabilização dos agressores e mobilização permanente da sociedade.
Outro ponto de destaque foi a preocupação da FENAJ com a Lei do Multimídia, diante dos riscos de flexibilização e descaracterização das profissões da comunicação. A presidenta defendeu que as transformações tecnológicas e as novas dinâmicas de produção de conteúdo não podem servir de justificativa para retirar direitos, precarizar relações de trabalho ou permitir que atividades profissionais distintas sejam exercidas sem o devido reconhecimento de suas especificidades.
Samira também enfatizou a importância da sindicalização e da luta coletiva como instrumentos fundamentais para enfrentar a precarização do trabalho, defender direitos e ampliar a capacidade de negociação dos jornalistas. Em um cenário de transformações no mercado, avanço da pejotização, redução de postos de trabalho e fragilização das relações trabalhistas, a organização sindical é essencial para que a categoria tenha voz e força na defesa de seus interesses.
A presidenta destacou que a resistência do jornalismo não se limita à defesa da atividade profissional, mas envolve também a luta por condições dignas de trabalho, valorização dos jornalistas, liberdade de expressão e direito da população à informação de qualidade.
Antes do seminário, a dirigente nacional participou de uma edição ao vivo do podcast Luneta, da Rádio Universitária Paulo Freire, sobre o papel do Jornalismo nas eleições 2026. Coordenado pela professora Ana Veloso, o podcast contou com a participação da jornalista e pesquisadora Patrícia Paixão, integrante da Rede de Proteção a Jornalistas e Comunicadores.






