Em artigo para o site da FENAJ, a presidenta da Federação, Samira de Castro, compartilha impressões sobre a China e a governança global. Ela esteve no país a convite da Associação dos Jornalistas de Toda a China, participando do 9º Fórum de Jornalistas do Cinturão e Rota 2026. A partir de visitas a centros de inovação, espaços históricos e iniciativas de serviços comunitários, a jornalista reflete sobre o desenvolvimento chinês, a cooperação Brasil-China e o papel do Jornalismo na aproximação entre culturas e povos. Leia o artigo na íntegra:
ENTRE O OUTONO E O FUTURO: DESCOBRIR A CHINA PARA APROXIMAR OS POVOS
Algumas viagens ampliam nossa maneira de enxergar o mundo. Esta terceira viagem à China continental, a convite da Associação dos Jornalistas de Toda a China para participar do Fórum de Jornalistas do Cinturão e Rota 2026, foi mais uma oportunidade de conhecer de perto a riqueza e a diversidade desse país.
Minha primeira visita aconteceu em 2024, à província de Chongqing, seguida, em 2025, por uma viagem a Jiangxi. Agora, no outono chinês, entre as suaves cores de Jiangsu e a vibrante energia de Changzhou, vivencio novas descobertas sobre a cultura milenar chinesa, sua economia dinâmica e suas diferentes formas de organização da sociedade.
Durante as visitas à Ninebot, referência em mobilidade inteligente e robótica; à Wanbang Digital Energy, que desenvolve soluções para redes de recarga e sistemas de energia; e à NR Electric Power Electronics, empresa especializada em equipamentos elétricos avançados e transmissão de energia, pude conhecer exemplos de inovação industrial e dos avanços da China na transição energética. Já o Centro de Serviços Urbanos Verdes Mudan, voltado para todas as idades, apresentou iniciativas comunitárias destinadas a atender às necessidades de pessoas idosas, crianças e famílias.
Em Qingguo Lane, as ruas preservam mais de 2.500 anos de história. No Museu da Escola Médica de Menghe, em Changzhou, a tradição da medicina chinesa, com mais de quatro séculos, revela um rico patrimônio de conhecimentos transmitidos entre gerações. Essas experiências mostram como a modernização pode coexistir com a preservação da memória e da identidade cultural.
Essas vivências nos convidam a refletir sobre grandes desafios da governança global: como combinar inovação, desenvolvimento econômico, sustentabilidade e qualidade de vida?
Essa questão é particularmente relevante para Brasil e China, cuja parceria se fortaleceu significativamente ao longo das décadas. Em 2026, celebramos 52 anos de relações diplomáticas bilaterais. Em 2025, o comércio entre os dois países alcançou o recorde de US$ 171 bilhões, um crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 100 bilhões, gerando um superávit comercial de US$ 29,1 bilhões para o Brasil. Esses números demonstram a dimensão da nossa relação econômica e as oportunidades de ampliar ainda mais essa cooperação.
O Fórum de Jornalistas do Cinturão e Rota representa um importante espaço para fortalecer essa conexão por meio do Jornalismo. Ao reunir profissionais da comunicação e representantes de organizações jornalísticas, o evento estimula o intercâmbio de experiências, o conhecimento de diferentes realidades e a construção de perspectivas mais plurais sobre as transformações globais.
O Jornalismo pode contribuir para que a cooperação internacional seja compreendida não apenas por meio de números do comércio e acordos diplomáticos, mas também pelas histórias das pessoas, da inovação, da cultura e das mudanças sociais.
Em 2026, o Ano Cultural Brasil-China acrescenta uma nova dimensão a esse diálogo. A iniciativa do Cinturçao e Rota cria oportunidades para aprofundar o conhecimento mútuo, celebrar nossa diversidade cultural e ampliar os intercâmbios nas áreas de educação, turismo, inovação e economia criativa.
Aproximar países significa muito mais do que movimentar mercadorias e investimentos através das fronteiras. Significa também permitir que ideias, culturas e experiências circulem. Volto de Changzhou convencida de que conhecer é o primeiro passo para compreender — e de que o Jornalismo tem tanto a responsabilidade quanto o privilégio de transformar descobertas em pontes entre os povos.
Samira de Castro
Presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ






