Ferramenta cruza dados da FENAJ sobre violência contra jornalistas no Brasil

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Equipes dos grupos de pesquisa COM+ e do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (OBCOM), da Universidade de São Paulo (USP), lançaram uma ferramenta que irá auxiliar pesquisadores e profissionais de comunicação na obtenção de dados sobre casos de violência contra jornalistas no Brasil.

Chamada provisoriamente de “Mapa”, a ferramenta  automatiza a busca e o cruzamento de dados da série histórica dos Relatórios de Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), ampliando as possibilidades de conhecimento e acesso às informações sobre estas violações.

Bilíngue (português e inglês), a ferramenta também gera gráficos que localizam as ocorrências nos Estados do país, bem como um gráfico de barras que compara padrões ao longo dos anos. Foi desenvolvida pelo programador Otávio Santos.

A iniciativa faz parte do convênio de mobilidade de pós-graduação docente e discente internacional Safety Matters: research and education on the Safety of Journalists, em parceria com a Oslo Metropolitan University (Noruega), University of the Witwaterstrand Johanneburg (África do Sul) e a University of Tulsa (EUA), financiado pelo Research Council of Norway, sob a coordenação da professora Daniela Oswald Ramos, docente do Departamento de Comunicações e Artes (CCA) e Elizabeth Saad, professora sênior do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE).

“Essa ferramenta de busca de dados funciona da seguinte maneira: a gente pegou os relatórios da série histórica da FENAJ, que é a base de dados mais estável sobre violência contra jornalistas e comunicadores, que temos no Brasil”, explica a coordenadora do projeto, Daniela Oswald Ramos, professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP).

Daniela Oswald Ramos explica que a ferramenta será usada para auxiliar no trabalho de jornalistas, no sentido de entender os padrões de segurança e insegurança, como eles se repetem, quem são os agressores, qual é o gênero dos agredidos, entre outros aspectos.  “A ferramenta vai ser alimentada todo ano com o relatório da FENAJ, e vai ser de acesso livre, em português e em inglês para dar visibilidade internacional ao assunto”, pontua.

Para Daniela, a situação do jornalismo no Brasil é preocupante, porque a desinformação poluiu o ambiente jornalístico de forma avassaladora no ambiente digital. “É uma indústria muito bem aparelhada no país, financiada, e bem articulada. O jornalismo está competindo com a indústria da desinformação e isso em si já é uma violência”, analisa.

Para Daniela Osvald, o mau exemplo dado por figuras públicas, como o presidente da República Jair Bolsonaro, um notório inimigo dos jornalistas, transmite aos seus seguidores uma mensagem distorcida. Na prática, essa atitude conduz a um “aprendizado por parte do cidadão comum de que agredir jornalistas é não só certo como desejável”. Ao fim, arremata Daniela, “é o autoritarismo socialmente implantado, como descreve o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro”.

Confira o evento de lançamento da ferramenta

Com informações da Amazônia Real