Jornalistas lutam contra atrasos no pagamento de salários e desrespeito aos seus direitos

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logos-veiculosO desrespeito e  precarização do trabalho dos jornalistas patrocinados pelas empresas jornalísticas amplia a insatisfação dos jornalistas neste final de 2016.  Protestos e indicativos de greve marcam a reação da categoria ao desrespeito patronal em diversos estados. Os Sindicatos da categoria empenham-se na mobilização dos jornalistas e no ingresso de medidas judiciais para assegurar os direitos dos trabalhadores.

 Em assembleia realizada na segunda–feira (05/12), jornalistas e radialistas da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, vinculada aos Diários Associados, decidiram fazer uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (08/12), como advertência pelo não-pagamento de um ano e meio de salários atrasados, sendo que, em 2016, nenhum salário foi pago nos últimos cinco meses e nem o 13º de 2015.

A intenção dos funcionários é o pagamento imediato dos salários atrasados e a retomada das negociações. A paralisação terá início à zero hora desta quinta-feira (meia-noite de quarta) até a zero hora de sexta-feira, quando haverá nova assembleia, marcada para 14h. O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro e o Sindicato dos Radialistas do Estado do Rio de Janeiro discutem ações judiciais em conjunto para cobrar o pagamento dos salários atrasados.

No Espírito Santo, a Rede Tribuna, afiliada do SBT, que também edita o jornal A Tribuna, líder de mercado no Estado, mantém sistemático atraso nos salários de seus jornalistas, além de também não pagar o Plano de Saúde dos funcionários. Denunciada pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado ao Ministério Público do Trabalho não compareceu à audiência de mediação convocada para o dia 5 de dezembro.

Somente após o Sindicato ajuizar ação civil pública na Justiça do Trabalho, a Rede –  que vem promovendo demissões em seus veículos ao longo do ano – iniciou na semana passada o acerto do pagamento da quinzena do salário de novembro, e da primeira parcela do décimo terceiro, que estavam atrasados.

Os jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), de Campinas, decidiram, em assembleia realizada no dia 6 de dezembro, manter o estado de greve devido aos constantes atrasados no pagamento de salários e benefícios. Eles esperam receber, até a próxima segunda-feira (12), o salário que deveria ter sido pago no último dia 20 de novembro.

Nova assembleia ocorre na tarde da próxima terça-feira (13), quando os profissionais avaliam os resultados de outra negociação com a empresa, prevista para a manhã do mesmo dia.

Alegando “problemas financeiros”, a Folha de São Paulo demitiu 15 jornalistas no dia 5 de dezembro e há apreensão dos profissionais do Grupo Folha quanto a novas demissões.

Após dispensar funcionários da Globo Minas, o Sistema Globo de Rádio promoveu mais demissões no dia 6 de dezembro no Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo informações de sites noticiosos, só na CBN foram mais de 40 demissões. A situação dramática na qual estão submetidos os jornalistas se reflete em manifestações como a exposta pelos profissionais da CBN, em carta enviada à direção da emissora. Reivindicações como escala de trabalho menos desgastantes e reajuste salarial são acompanhadas de relatos de trabalhadores afastados por problemas de estresse acumulado, estafa, depressão e problemas psicológico relacionados ao trabalho.

O desrespeito aos direitos trabalhistas dos profissionais de comunicação se repete em outros estados, com medidas como o não pagamento, ou pagamento parcelado de salários e 13º, não pagamento de horas extras, não recolhimento do FGTS, demissões e intransigência nas negociações salariais, onde os donos dos veículos de comunicação negam-se em repor integralmente as perdas salariais.