Nova audiência sobre demissões no grupo RBA será no dia 3 de fevereiro

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Prossegue o impasse com relação aos 4 jornalistas dispensados pela Rede Brasil Amazônia de Comunicação – fundada e administrada pela família Barbalho – em função da greve deflagrada pela categoria em setembro. O Sindicato dos Jornalistas do Pará ingressou com ação coletiva na Justiça do Trabalho pedindo a reintegração dos demitidos e indenização por dano moral. Nova audiência na 5ª Vara do Trabalho de Belém foi marcada para o dia 3 de fevereiro de 2014.

Enize Vidigal, secretária geral do SINJOR-PA, conta que a primeira audiência, ocorrida nesta terça-feira (17), foi meramente protocolar. Ela e a diretora Eliete Ramos representaram o Sindicato na audiência, que foi acompanhada pelos 4 jornalistas demitidos, Amanda Aguiar, Felipe Melo, Cris Paiva e Adison Ferreira. “A assessoria jurídica do Grupo RBA juntou uma papelada de quase 500 páginas ao processo de defesa e a juíza Karla Frota agendou a nova audiência para o início de fevereiro, para poder conhecer o teor dos documentos”, informa.

O Grupo RBA inclui os veículos Diário do Pará, Diário Online (DOL) e RBA TV. Os quatro jornalistas que ajudaram a organizar a greve de setembro foram demitidos no dia 18 de novembro, imediatamente após o término do período de estabilidade firmado no acordo que pôs fim à paralisação. Sequer lhes foi permitido acesso à redação e foram submetidos à assinatura dos documentos na recepção da empresa em uma situação vexatória.

A direção da RBA nega que as demissões foram uma retaliação ao movimento grevista. Argumenta que demissões são rotineiras quando funcionários, por algum motivo, não interessam mais à empresa.

Para o Sindicato, no entanto, está clara a perseguição. A entidade denuncia que as perseguições no grupo RBA começaram muito antes das demissões dos 4 jornalistas. Antes de iniciado o movimento paredista, a própria Cris Paiva, então produtora da TV RBA, foi dispensada sem justa causa após divulgar seu contra-cheque numa rede social, em meio ao início da campanha Jornalista Vale Mais. Após grande repercussão do caso, ela foi readmitida e novamente demitida dois meses depois. O grupo RBA também demitiu o jornalista Leonardo Fernandes, repórter no jornal Diário do Pará que participou da organização do movimento Jornalista Vale Mais, tão logo a greve foi anunciada, em 16 de setembro.

Segundo a entidade, o retorno dos grevistas ao trabalho foi marcado por retaliações como o remanejamento de todos os jornalistas que aderiram ao para outros horários e editorias e a perda do direito de assinar os próprios. O SINJOR-PA aponta, também, a suspeita de que a empresa tenha pago uma “bonificação” de R$ 300 para os funcionários que não aderiram à greve e que o assédio moral tem se tornado ainda mais intenso na redação do Diário Online.