Repórter é demitida após ouvir acusados em denúncia de promotor

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O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e a FENAJ emitiram, no dia 18 de junho, nota de protesto contra a demissão da repórter Márcia Regina Dias pelo jornal Mogi News. Após receber denúncias do promotor José Barbutto, do Grupo de Ação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), com denúncias contra 13 policiais, Márcia ouviu os acusados. Dias depois, foi demitida.

Na nota oficial, o SJSP e a FENAJ afirmam que a repórter teve “atuação profissional adequada e em cumprimento ao dever ético de ouvir todos os lados envolvidos na produção de uma matéria jornalística”. Além de colocar suas assessorias jurídicas à disposição da colega, as entidades sindicais condenaram a empresa e a representação do Ministério Público, que agiram contra a jornalista “quando deveriam agir de forma a elucidar denúncias de lesão ao interesse público”.

Conforme relato enviado ao SJSP e também a colegas jornalistas, a repórter, recebeu e-mail do promotor José Barbutto, do Grupo de Ação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), com denúncias contra 13 policiais. Na mensagem, Barbutto orientou a repórter para que ao divulgar a informação não denotasse que os promotores quisessem aparecer.

Barbutto não pediu sigilo, e o processo não corria em segredo. Márcia Dias foi, corretamente, até por questão ética, ouvir os policiais acusados sobre a denúncia, para que se defendessem. Um deles juntou o e-mail em seu processo, acusando o promotor de tentar dirigir o trabalho da imprensa.

Foi o suficiente para Barbutto se negar a dar novas informações para Márcia Regina Dias e considerá-la parcial em favor da defesa (aparentemente, só é permitido ser parcial em favor da acusação). Poucos dias depois, e cedendo as pressões da promotoria, o jornal demitiu a repórter.

Este caso mostra bem o nível da relação promíscua de alguns donos de veículos de comunicação com o poder constituído. É recorrente a pressão política e econômica, em especial nos veículos de comunicação do interior, mas, sem dúvida, essa é uma das poucas que envolvem funcionários públicos que teriam como função a defesa da sociedade, inclusive da imprensa livre!

Em contato com o editor do jornal, Márcio Siqueira, esse informou aos representantes sindicais que o jornal demitiu a jornalista porque, na opinião da direção da empresa, Márcia Dias teria faltado com a ética profissional ao revelar a fonte de sua informação – com o que as entidades não concordam, tendo em vista que o assunto é de interesse público e se tratar de processo que não corre em segredo de Justiça, e, ainda, não ter havido a solicitação de sigilo, conhecido internacionalmente como “off the record”.

A jornalista Márcia Regina Dias, em sua própria defesa – sem contar com o que deveria ser obrigação e prerrogativa de defesa dos jornalistas na empresa que a contratou – denunciou o promotor Barbutto à Corregedoria do Ministério Público para que essa analise o seu comportamento ético e moral frente ao cargo de defensor público.

Com informações do SJSP