Sindicatos cobram treinamento e equipamentos de segurança para os jornalistas

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Com a proximidade da Copa do Mundo e a previsão de protestos populares, os Sindicatos dos Jornalistas buscam junto às autoridades e empresas medidas para garantir a segurança dos jornalistas. Medidas neste sentido, como a aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e treinamentos estão sendo tomadas em São Paulo, Minas Gerais, no Paraná e na Bahia.

No dia 14 de maio o Grupo de Trabalho formado por representantes do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e do Sindicato Patronal de Jornais e Revistas da Capital chegou a um acordo no que se refere à segurança da categoria. As empresas bancarão treinamento específico para coberturas de risco, que será realizado no dia 27 de maio, das 9h30 às 13h, pelo instrutor Ryan Swindale, do International News Safety (INSI). Serão 130 vagas para profissionais de jornais e revistas, que serão indicados pelas empresas. O SJSP pretende negociar as mesmas condições para os jornalistas de Rádio e TV e também para os jornalistas do Interior e Litoral.

Além do treinamento, as empresas disponibilizarão os equipamentos básicos de segurança para cobertura de eventos que coloquem em risco a integridade física do jornalistas, como óculos de proteção, capacete de segurança e máscara contra gás lacrimogêneo. A negociação inclui também equipamentos para eventos de alta gravidade, tais como capacete balístico e colete à prova de balas. As empresas irão recomendar seu uso, mas cabe ao profissional decidir pela sua utilização, uma vez que não é obrigatória. O SJSP, no entanto, recomenda a sua utilização.

Ao cobrir as manifestações populares previstas para a Copa do Mundo, jornalistas devem usar colete a prova de bala, equipamentos de proteção individual (EPI), se proteger contra gases, se manter abrigados, evitar pânico e principalmente não se misturar com a multidão. Estas recomendações e outras foram passadas pela Polícia Militar de Minas Gerais durante o workshop “A Segurança Pública e a Cobertura da Imprensa em Eventos”, promovido pelo governo estadual para jornalistas nos dias 12 a 15 de maio e que contou com a participação de 205 profissionais.

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais cobra dos sindicatos patronais a compra de equipamentos de proteção individual (EPI) para equipes de reportagem e já enviou a minuta do “Protocolo de Segurança de Jornalistas nas Coberturas de Manifestações e Conflitos”, sobre o qual houve acordo em reunião realizada no dia 8 de abril passado, na sede do Sindicato, mas até o momento não recebeu a resposta dos representantes das empresas de comunicação. Os equipamentos solicitados estão de acordo com especificações fornecidas pelo International News Safety Institute (INSI) e pela Polícia Militar de Minas Gerais durante o workshop. 

No Paraná o Sindicato dos Jornalistas promove, no dia 4 de junho, das 18h30 às 22h30, em sua sede em Curitiba, o workshop “Segurança em grandes coberturas do jornalismo”. A proposta é de trazer ao profissional da imprensa paranaense um treinamento rápido e objetivo de como realizar cobertura jornalística em eventos como protestos, violência urbana, guerras e outras pautas que podem oferecer riscos ao trabalhador.

O workshop é baseado na experiência do jornalista brasileiro Tariq Saleh, que há quase uma década cobre conflitos no Oriente Médio como correspondente da BBC. Ao longo destes anos, Tariq também vem recebendo treinamento de alto padrão para trabalhar em diversas regiões reportando conflitos e guerras para um dos maiores e mais respeitados grupos de comunicação do mundo. Além desta qualificação, Tariq já participou de cursos ministrados por ex-forças especiais britânicas que trabalham em empresas especializadas em treinamentos de segurança e reconhecidas internacionalmente.

Os interessados devem fazer sua inscrição aqui (enviando o documento preenchido, com o comprovante de pagamento para: gerencia@sindijorpr.org.br).

Na Bahia, o Sindicato do Jornalistas promoveu de 13 a 16 de maio, a Semana de Mobilização dos Jornalistas com cursos, palestras e um ato em defesa dos jornalistas que respondem a processos por seu exercício profissional no estado. A primeira atividade, no dia 13, foi um curso de qualificação profissional para coberturas de alto risco ministrado por instrutores da Polícia Militar e que teve como público-alvo repórteres fotográficos e cinematográficos. No dia seguinte, José Carlos Torves, diretor de Relações Institucionais da FENAJ, ministrou as palestras “Violência contra jornalistas no Brasil” e “Cobertura da Copa do Mundo” e no dia 15 participou de um encontro com jornalistas e radialistas em Feira de Santana.

No dia 16, a ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, e José Torves participaram de debate na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia sobre Jornalistas processados pelo exercício profissional. Ao final do evento houve um ato de desagravo ao jornalista Aguirre Talento, condenado em primeira instância no último dia 22 de abril, por uma série de matérias sobre agressões ao meio ambiente em Salvador, veiculadas no Jornal A Tarde, e que responde a outros três processos pelo mesmo motivo, e aos demais jornalistas do estado que também estão sendo processados.

Em Fortaleza, o Sindicato dos Jornalistas do Ceará entregou ao ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-geral da Presidência da República (SG-PR), no dia 5 de maio, uma cópia do Relatória da Violência Contra Jornalistas no estado em 2013, O documento foi entregue durante o evento Seminários de Diálogos com a Sociedade Civil sobre a Copa do Mundo 2014, realizado na Assembleia Legislativa (ALEC).

Em sua fala de abertura, Gilberto Carvalho mencionou a questão da violência contra jornalistas, referindo-se ao caso do repórter cinematográfico da Band, Santiago Andrade, morto dias depois de ser atingido na cabeça por um rojão, durante cobertura de protestos no Rio. O jornalista não usava nenhum Equipamento de Proteção Individual (EPI) e estava sem auxiliar no momento do ataque. “Não podemos admitir que jornalistas sejam vítimas de violência durante a Copa”, enfatizou o ministro. 

Apesar do esforço de ouvir – foram mais de 25 inscrições e todas as falas garantidas, ainda que encurtadas -, o ministro Gilberto Carvalho não respondeu a todas as questões. Ficou sem resposta, por exemplo, a pergunta da presidente do Sindjorce, Samira de Castro, que ao citar números do relatório da violência no Ceará, questionou o que os governos federal e estadual vão fazer para garantir a segurança dos profissionais de mídia que irão cobrir as manifestações agendadas para acontecer durante o mundial de futebol.