Sindjorce e FENAJ repudiam demissões no Sistema Verdes Mares

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vêm a público repudiar as demissões ocorridas no Sistema Vedes Mares, na última semana, atingindo os profissionais da Rádio Verdes Mares. O Departamento Pessoal do grupo de comunicação não confirma, mas as informações de bastidores dão conta de mais de 30 pessoas demitidas, sendo a maioria radialistas e funcionários do administrativo. Pelo menos três jornalistas foram dispensados sem justa causa no mais recente passaralho pós-Reforma Trabalhista no Estado.

Em processo de convergência jornalística, quando serão integradas todas as redações do Sistema Veres Mares (TV Verdes Mares, TV Diário, Rádio Verdes Mares, Diário do Nordeste, G1 CE e portal Diário do Nordeste), a direção do grupo opta, mais uma vez, por não dialogar com os trabalhadores. E nem com os sindicatos, uma vez que está acobertada pela Lei 13.467/2017, que acabou com o precedente judicial da negociação coletiva prévia com os sindicatos de trabalhadores, como requisito de validade do ato.

Com decisões centralizadas e hierarquicamente impostas, o que resta aos jornalistas, radialistas, gráficos e demais profissionais do Sistema Vedes Mares é viver sob o medo de ir dormir empregado e acordar fazendo parte das estatísticas de milhares de pessoas que perderam suas ocupações formais. A convergência jornalística, aliada à destruição de grande parte da CLT, impõe à categoria a lei da mordaça, como forma de tentar preservar os já escassos postos de trabalho. Por isso, nos solidarizamos com todos os demitidos sem justa causa.

Nesse cenário de jornalismo pós-industrial, questionamos até que ponto essa produção de mídias convergentes e integradas está beneficiando o conteúdo e, consequentemente, o leitor, o telespectador, o ouvinte, seja qual tipo de audiência? E até que ponto esse jornalista que fica na redação será também remunerado por essa produção multiplataforma, que vai exigir dele mais esforço físico e mental, além de conhecimentos especializados?

O Sindjorce e a FENAJ colocam suas estruturas jurídica e administrativa a serviço dos profissionais demitidos, bem como dos que ainda estão empregados, para que possam esclarecer dúvidas sobre seus direitos. Neste momento, além da irrestrita solidariedade, precisamos de unidade para enfrentar coletivamente o desemprego e a tentativa de desmonte dos direitos dos jornalistas cearenses.