|
A universalização dos serviços de comunicação é tão importante para a sociedade quanto foi a expansão do sistema nacional de energia elétrica, por exemplo. Com a convergência tecnológica acelerada pela digitalização dos meios, o acesso às comunicações se tornou imprescindível a todos, para que estejam incluídos socialmente, e precisa estar inserido no princípio de bem público. Qualquer iniciativa que pretenda universalizar os serviços nessa área, do ponto de vista do FNDC, deve considerar um projeto estratégico nacional de digitalização.
Uma das formas mais abrangentes de comunicação hoje é a internet, como se sabe. Ela possibilita em escala global o trânsito de dados, voz e vídeo, – coloca o mundo em contato imediato com o mundo. A relevância da rede mobiliza os países a traçarem diretrizes para viabilizarem, aos seus cidadãos, o acesso de forma ampla. No Brasil, o Governo Federal propõe um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) para o qual já anunciou que investirá, inicialmente, R$ 6 bilhões em infraestrutura. O projeto brasileiro parte da constatação da União Internacional de Telecomunicações (UIT), que já em 2003 apontava o acesso à internet em banda larga como “crucial para que se consiga atingir metas sociais, econômicas e científicas”. A proposta do governo é massificar, até 2014, a oferta de banda larga e promover o crescimento das telecomunicações no país, percebendo no conhecimento um ativo indispensável para o desenvolvimento da nação. O acesso à internet em alta velocidade é a infraestrutura característica desta “economia do conhecimento”. Convergência considerada Quando estava em curso a discussão do Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD, o Fórum registrou a importância de desenvolver no país a indústria de semicondutores, visando à geração de emprego e renda, a liberdade competitiva e a soberania nacional. Depois disso, no documento “Por uma convergência de interesses”, o FNDC destacava que a implantação e o desenvolvimento do SBTVD foi uma oportunidade – e uma brecha – que permitiria incluir digitalmente a população por meio do acesso a uma gama enorme de serviços interativos e outras aplicações. Conselho faz falta O CCS, previsto na Constituição Federal de 1988, foi criado em 1991 como um órgão auxiliar do Congresso Nacional para discutir as questões referentes à comunicação social no país. É composto por representantes da sociedade civil, das empresas de comunicação e de categorias profissionais da área. “A digitalização das comunicações é um processo em curso no Brasil e estamos alijados deste instrumento político tão importante que é o CCS”, ressalta Nascimento. Para fazer frente às oportunidades e desafios que a convergência digital oferece – onde está inserida a internet por banda larga –, é necessário, segundo Schröder, o envolvimento da sociedade em uma organização de novo tipo, baseada nos conceitos de “Sistemas Abertos”, de “Inteligência Distribuída”. Construindo uma similaridade com o sistema elétrico, o coordenador-geral do FNDC explica que a referida organização equivaleria a uma Organização Nacional de Serviços Digitais (ONSD). Ela agregaria as requisições da sociedade e proporcionaria conteúdo ao CCS. “Não como um fórum decisório, nem como um braço estatal ou sindical, muito menos usurpando as prerrogativas do Congresso Nacional, mas como o espaço para uma agenda nacional que permitisse unir os diversos setores ligados à comunicação”, esclarece. Um plano para o país O Instituto afirma, entretanto, que não adianta priorizar a infraestrutura e deixar de lado o aspecto da qualificação dos excluídos – o “objetivo do processo também deve ser a inclusão cultural, informacional, educacional e profissional do maior número de cidadãos brasileiros no fascinante mundo digital”. Participação no debate Também a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações – Fittel publica suas considerações em contribuição ao debate sobre o PNBL (leia aqui). Ana Rita Marini, da Redação do FNDC
|






