A mesa-redonda “Prioridades Sindicais para a Igualdade de Gênero”, realizada na quinta-feira (7/05), durante o Congresso do Centenário da Federação Internacional de Jornalistas, em Paris, reuniu representantes sindicais de diferentes regiões do mundo para debater os desafios enfrentados pelas mulheres jornalistas e fortalecer o papel do Conselho de Gênero da entidade internacional.
A atividade foi moderada por Pamela Morinière e contou com a participação de María-Ángeles Samperio, da Espanha; Samira de Castro e Alicia Ortega, coordenadoras para a América Latina e Caribe; Javeria Siddique, do Paquistão; Manuela Bermúdez, da França; Domenica Mima Caligaris, da Itália; além de Kadiatou Thierno Diallo, da Guiné, e Patricia Adjisseku, do Togo.
As representantes apresentaram um panorama da situação das mulheres jornalistas em suas regiões e apontaram prioridades para a atuação do Conselho de Gênero da FIJ no próximo período.
Pela América Latina, os debates realizados por Brasil e Uruguai enfatizaram a necessidade de transformar diagnósticos e declarações em políticas sindicais concretas, capazes de impactar efetivamente as condições de trabalho, a representação e a participação das mulheres nos espaços de decisão das empresas de comunicação e das entidades sindicais.

Representando a Associação Uruguaia de Imprensa (APU), Alicia Ortega destacou os avanços conquistados pela entidade uruguaia em políticas de paridade de gênero e organização feminista. Segundo ela, a APU implementou paridade em seu Conselho Diretor e criou recentemente a Secretaria de Gênero e Feminismos, ampliando espaços de acolhimento e orientação para jornalistas mulheres.
Durante sua fala, a dirigente uruguaia defendeu que o Conselho de Gênero da FIJ avance para ações mais concretas e propôs a realização de um Congresso Internacional de Gênero da FIJ, destinado à formulação de estratégias e resoluções políticas específicas sobre igualdade e direitos das mulheres jornalistas. O Uruguai se colocou à disposição para sediar o encontro.
A proposta integra um documento político construído conjuntamente por Brasil e Uruguai, que defende “uma agenda estratégica para a transformação do sindicalismo e da comunicação com perspectiva de gênero”, colocando a agenda feminista “no centro da ação sindical internacional”.
Representando a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro afirmou que as desigualdades enfrentadas pelas mulheres jornalistas na América Latina dialogam com problemas vividos por profissionais da imprensa em diversas partes do mundo e defendeu a necessidade de transformar os diagnósticos em organização e ação política.
A dirigente brasileira defendeu programas de formação sindical com perspectiva de gênero, entendendo a capacitação como instrumento de redistribuição de poder dentro do movimento sindical e de fortalecimento da participação de mulheres e grupos diversos em posições de liderança. Também destacou a importância de construir uma rede global de gênero no sindicalismo internacional para articular ações e compartilhar experiências entre as regiões.
“Sem coordenação não há força”, afirmou Samira de Castro durante sua apresentação, encerrando sua participação com a palavra de ordem: “Lute como uma jornalista”.
O encontro evidenciou o fortalecimento da presença latino-americana nos espaços de debate da FIJ e o esforço regional para consolidar a agenda de gênero como eixo estruturante do sindicalismo da imprensa em nível internacional.
Com informações da APU






