Brasil perde José Marques de Melo, um incansável defensor do Jornalismo

5064

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) lamenta profundamente a morte do professor José Marques de Melo, aos 75 anos, ocorrida na tarde de ontem (20 de junho), em São Paulo, e presta sua homenagem a este que foi um incansável defensor do Jornalismo como campo de conhecimento e como atividade profissional de grande relevância social.

Jornalista por formação, José Marques de Melo graduou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1964, e foi o primeiro doutor em comunicação titulado por uma universidade brasileira. Foi em  1973, pela mesma universidade, e passou a desempenhar papel determinante para a consolidação do ensino e da pesquisa do Jornalismo no Brasil.

Tinha um vasto e invejável currículo de atuação no Jornalismo, com passagens por vários jornais e trabalho de destaque na vida acadêmica. Foi um dos fundadores da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e o responsável pela implantação do Departamento de Jornalismo e Editoração. Dirigiu a unidade durante vários anos e neste tempo foi mais uma das vítimas da ditadura militar. Durante o regime militar foi impedido de exercer a docência em universidades públicas brasileiras. Anistiado em 1979, reassumiu na USP, exercendo-a em regime de dedicação exclusiva ao ensino e à pesquisa.

Participou da criação das entidades acadêmicas Intercom (Sociedade Brasileira de Pesquisa em Comunicação), ABEJ (Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo, ex-Fórum Nacional de Professores de Jornalismo) e Rede Alfredo de Carvalho para o Resgate da Memória e a Construção da História da Imprensa no Brasil, hoje  Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (ALCAR). Mas também nunca se esqueceu das lutas sindicais e foi parceiro da FENAJ nas grandes batalhas pela profissão.

Defendeu com força e determinação a exigência da formação de nível superior específica em Jornalismo para o exercício da profissão, acompanhando, ao lado da FENAJ, o processo judicial que culminou com a derrubada da exigência do diploma. Mas não se abateu e continuou a luta pelo ensino do Jornalismo como essencial para a formação do profissional jornalista. Coordenou o grupo de trabalho que reformulou as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo, no ano de 2012, e acompanhava sua implantação.

Ajudou a formar muitas gerações de jornalistas e de pesquisadores acadêmicos. Tem centenas de artigos e livros publicados e, em 2013,  ganhou o Prêmio Jabuti com a obra  História do Jornalismo.

Considerado o mestre de todos os jornalistas brasileiros, José Marques de Melo, felizmente, teve o merecido reconhecimento em vida. Recebeu inúmeras homenagens, entre elas a Comenda da FENAJ, oferecida a ele em solenidade realizada durante o 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em 2014, em Alagoas, sua terra natal.

O reconhecimento à sua dedicação e à sua fundamental contribuição para o campo do Jornalismo será eterno.

José Marques de Melo, presente!

Federação Nacional dos Jornalistas

Brasília, 21 de junho de 2018.