Campanha defende a liberdade de imprensa e combate à violência contra jornalistas

656

O lançamento da “Campanha de Defesa da Liberdade de Imprensa no Brasil”, realizado no Dia Nacional da Imprensa (1ºde junho), mobilizou os jornalistas e a sociedade. Além de atos públicos, distribuição de cartazes e de Nota Oficial, a FENAJ lançou uma pesquisa para coletar dados sobre agressões contra jornalistas. Veja, a seguir, o relato de algumas das atividades nos estados.

Apresentação teatral agita o centro de BH
Em Minas Gerais, o Dia Nacional da Imprensa, teve apresentação de teatro na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, marcando a participação do SJMG na Campanha Nacional de Defesa da Liberdade de Imprensa, promovida pela Fenaj, em parceria com sindicatos de todo o Brasil. Um grupo de artistas abordou o tema da liberdade de imprensa em performances. “O evento foi um sucesso e, durante toda a tarde, chamou a atenção das pessoas que transitavam no centro para a importância d_ liberdade de imprensa”, afirma o presidente do SJPMG, Aloisio Lopes. No período da tarde, parlamentares discursaram em defesa da liberdade de imprensa na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Protestos contra a censura e agressões marcam manifestação em SP
Em ato público alusivo ao Dia Nacional da Imprensa, realizado ao meio dia de 1ºde junho, ao lado do Tribunal de Justiça, os jornalistas de São Paulo expressaram sua indignação com o retorno da censura. A atividade foi organizada pelo Sindicato dos Jornalistas e Associação dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (Ajaesp), e contou com o apoio da CUT, da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e da UBE (União Brasileira de Escritores). Os manifestantes colocaram mordaças pretas na boca em sinal de protesto. Os casos dos jornalistas Jorge Kajuru e Fernando Morais foram citados pelos manifestantes como exemplos de agressões à liberdade de imprensa, cometidas por juízes. O ex-presidente do SJSP e atual vice-presidente da ABI, Audálio Dantas, discursou representando a UBE. “Esse ato vem mostrar a nossa indignação contra as práticas que estão em inconformidade com a Constituição, contra a censura que não está na Constituição e é praticada por membros do Judiciário”, disse. Os jornalistas Fernando de Santis e Joacir Gonçalves também participaram relatando o cerceamento que sofreram no exercício da profissão.

Na Bahia, jornalistas promovem dia de luto
O Dia Nacional da Imprensa ficou registrado na Bahia como Dia de Luto. O Sindicato dos Jornalistas organizou manifestações nas redações, distribuindo tarjas pretas e panfletos contra a censura. “Não podemos ficar parados diante das ameaças, censura ao nosso exercício profissional, e coerção física e moral; precisamos nos indignar e denunciar à sociedade mostrando nosso repúdio”, afirmou Carlão Oliveira, diretor do Sinjorba.

Estudantes de Comunicação fazem passeata em Rondônia
Os estudantes de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do Ceulji/Ulbra de Ji-Paraná aderiram à Campanha Nacional em Defesa da Liberdade de Imprensa em Rondônia. Com as bocas amordaçadas e portando cartazes, os acadêmicos realizaram passeata no Campus Universitário em protesto contra a censura aplicada aos profissionais e veículos de comunicação do Brasil. O publicitário e professor do curso Wladimir dos Santos salientou a importância da participação dos alunos para o fortalecimento da comunicação. “O profissionalismo começa dentro do curso, e a participação política se forma na comunidade acadêmica, vamos participar de todas as campanhas em prol da liberdade e qualidade da comunicação”, disse. No próximo dia 21 de junho os acadêmicos devem aderir ao Dia Nacional em Defesa do Diploma promovido pela FENAJ.

Atos públicos e forró da liberdade de imprensa foram realizados em Sergipe
O (Sindijor/SE) e a Associação Sergipana de Imprensa (ASI) afixaram faixas e distribuíram panfletos no centro de Aracajú no dia 1ºde junho. A noite foi de confraternização da categoria no “Forró da Liberdade de Imprensa”. A programação completou-se com um debate no auditório da Associação Sergipana de Imprensa, no dia 2.

Debate no Fórum Barão do Rio Branco marca o Dia da Imprensa no Acre
O Sindicato dos Jornalistas do Acre realizou um debate no Fórum Barão do Rio Branco para marcar o Dia Nac_onal da Imprensa, além de profissionais e estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Instituto de Ensino Superior do Acre (Iesacre), estiveram presentes representantes do Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), Secretaria Extraordinária da Mulher e Secretaria de Estado Comunicação Social. O professor Francisco de Moura Pinheiro, mestre em Comunicação Social, que participou como palestrante, destacou que a liberdade de imprensa sofre influências do poder da coerção, do poder econômico e do poder político. “Não é possível dizer que o jornalista pode trabalhar em um jornal e achar que pode dizer tudo. Nenhum jornal é o dono da verdade, por isso o jornalista deve ter a responsabilidade de apurar a informação, com responsabilidade, antes de publicá-la”.
Houve um momento de tensão, quando o empresário de comunicação Narciso Mendes, proprietário do jornal O Rio Branco e TV Rio Branco, que elogiou a iniciativa, afirmou que nunca na história do Acre a imprensa foi tão censurada pelo Estado. Em resposta, o secretário de Comunicação, jornalista Aníbal Diniz, disse que o governo atual não era igual aos anteriores, a quem o empresário servia com seus veículos de comunicação. No encerramento, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Acre, Raimundo Afonso, disse que o evento foi positivo, já que o tema é bastante polêmico e cada setor procura defender os seus interesses. “Agora vamos ampliar o debate, buscando consolidar a Liberdade de Imprensa no Brasil, começando pelos Estados, através de atividades como esta”.

Debate em Concórdia foi uma das atividades SC
Em Santa Catarina, o SJSC distribui a nota oficial de campanha em defesa da liberdade de imprensa para a categoria e entidades da sociedade civil. As atividades foram mais intensas em Concórdia, no oeste do estado, onde se realizou um debate na Universidade do Contestado, no dia 31 de maio. No dia seguinte, representantes do Sindicato ocuparam espaços nas rádios locais divulgando a Campanha Nacional em Defesa da Liberdade de Imprensa.

No Ceará atividade será dia 15
No Ceará estava agendada uma Sessão Solene na Assembléia Legislativa para marcar a data, mas a pauta apertada do legislativo causou o adiamento. A campanha naquele estado será lançada oficialmente dia 15 de junho, durante a sessão solene em comemoração aos 80 anos da Associação Cearense de Imprensa (ACI), também na AL.

Em três decisões Justiça de Tocantins favorece a liberdade de imprensa
Foram registradas três importantes decisões judiciais, no Tocantins, favoráveis à liberdade de imprensa com responsabilidade – casos raros num momento em que a imprensa brasileira convive com a censura, ameaças e violências manifestadas por medidas da Justiça. Todas foram proferidas pelo juiz Lauro Augusto Moreira Maia, da 5º Vara Cível da Comarca de Palmas.
Ele julgou improcedente ação de indenização por danos morais impetrada pelo ex-governador José Wilson Siqueira Campos contra o jornalista Salomão Wenceslau. O mesmo juiz também considerou improcedente ação movida pelo governador Marcelo Miranda contra a empresa Tocantins Gráfica e Editora Ltda, que edita o jornal Primeira Página, e a jornalista Sandra Miranda de Oliveira. Ambas as ações eram de injúria e difamação.
Em outra decisão de Lauro Maia, a empresa Sistema de Comunicação Rio Bonito Ltda, editora do jornal Folha Popular, foi condenada a pagar indenização de 20 sal&_acute;rios mínimos a cada um dos 12 policiais citados como criminosos em matéria veiculada em 2001, quando a polícia militar estava em greve. O juiz considerou arbitrária a conduta do jornal, que equiparou os grevistas a marginais e apontou que “cerca de 30 policiais têm envolvimento com o crime organizado”, sem provas substanciais.