Contra a violência, pelo fim da impunidade

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A Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ -, representando todos os Sindicatos de Jornalistas do Paí­s, vem a público exigir que os governos do Pará e do Brasil tenham respeito à memória e à luta da irmã Dorothy Stang e dêem respostas efetivas aos conflitos agrários na Amazônia, em vez de simplesmente utilizarem a mí­dia para propagar que a missionária havia recusado proteção policial. Isto quando a religiosa, em depoimento à juí­za de Direito Danielle Bührnheim da Vara Agrária de Altamira (PA), chegou a denunciar que ela e outras pessoas “eram marcadas para morrer”.
Também exigimos, veementemente, a punição dos criminosos, pistoleiros e mandantes, responsáveis pelo assassinato da irmã e de todas as ví­timas decorrentes de conflitos rurais na região. As mortes da irmã Dorothy e de outros 38 trabalhadores sem-terra, só em 2004, são provas de que o Paí­s precisa por fim à impunidade e necessita implementar polí­ticas públicas eficientes para acabar de vez com a grilagem de terra e exploração irregular de madeira nos estados amazônicos. Fatos que, há muito, vêm sendo denunciados por jornalistas que atuam na região e que, muitas vezes, também se tornam alvo de ameaças veladas e diretas, para as quais também pedimos providências. Reafirmamos que é papel dos jornalistas, na prática profissional livre e democrática, assegurar o cumprimento do direito à informação, principalmente sobre questões como estas, o que se constitui essencial para a sociedade exercer sua cidadania na construção de um Brasil com mais justiça social.

Brasí­lia, 21 de fevereiro de 2005.

Diretoria da FENAJ