FENAJ cobra posição da UNESCO e do governo do Pará

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No dia 31 de janeiro a FENAJ solicitou, oficialmente, providências do governo do estado do Pará quanto à covarde agressão do empresário de comunicação Ronaldo Maiorana – ocorrida no dia 21 de janeiro – contra o jornalista Lúcio Flávio Pinto. E, no dia 18 de fevereiro, a entidade também cobrou, do escritório da Unesco no Brasil, uma posição sobre o caso.
Lúcio Flávio foi agredido e ameaçado de morte, em Belém, por Ronaldo Maiorana, diretor corporativo e sócio das Organizações Rômulo Maiorana. O conglomerado de comunicação controla, também, várias emissoras de rádio e o canal local de TV afiliado da Rede Globo.
Contradição
A UNESCO/Brasil lançou, juntamente com a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) – da qual o jornal O Liberal faz parte -, uma rede em defesa da liberdade de imprensa, no dia 14 de fevereiro, em São Paulo. Mas silenciou sobre o caso, como também a ANJ, conforme oportuno registro da Agência Carta Maior, na matéria “ANJ se cala sobre agressão a jornalista no Pará”, da jornalista Bia Barbosa, veiculada dia 16 de fevereiro. Também relacionada à liberdade de imprensa, é recomendável a leitura da matéria “Dono de jornal quer imprensa livre, mas sem perder comando“, da mesma autora.
Cobrança
“Felicito a Unesco pela iniciativa de criar uma rede em defesa da liberdade imprensa. Estranho a parceria e lamento a exclusão da representação dos trabalhadores. Estranho também que o site não faça referências à covarde agressão e ameaça de morte, sofridas pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto, no mês passado, em Belém (PA). Gostaria, sinceramente, de saber o motivo da falta de informação sobre esse atentado à liberdade de imprensa”, questiona Sérgio Murillo de Andrade, Presidente da FENAJ, em e-mail enviado à direção da UNESCO no Brasil.
Providências
Segue, abaixo, a í­ntegra do ofí­cio encaminhado ao governador Simão Jatene.

Ofí­cio nº 005/05 – FENAJ Brasí­lia, 31 de janeiro de 2005.

Ao Governador do Estado do Pará
Exmo. Sr. Simão Jatene
C/C para o Secretário Especial de Defesa Social
Manoel Santino Nascimento Jr.

Senhor governador:

Como já é do conhecimento de Vossa Senhoria , no último dia 21 de janeiro o jornalista Lúcio Flávio Pinto foi agredido e ameaçado de morte pelo empresário Ronaldo Maiorana, em Belém. Segundo denúncias, a agressão foi uma reação à matéria “O rei da quitanda”, sobre a famí­lia Maiorana, dona do jornal O Liberal, de emissoras de rádio e da afiliada da Rede Globo.
Após receber um soco, uma “gravata” e ser jogado no chão por Ronaldo Maiorana, Lúcio Flávio ainda foi agredido pelos seguranças do empresário. Com quase 40 anos de atuação profissional, Lúcio Flávio, que já ganhou quatro prêmios Esso e outros internacionais por abordagens sobre a Amazônia e a região norte do Brasil, registrou queixa na polí­cia.
O Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará, presidido pela jornalista Carmem Silva, integrante da Executiva da FENAJ, emitiu nota oficial sobre o ato violento.
No entendimento da Federação Nacional dos Jornalistas, o direito à informação é uma conquista social, e ameaças e violências contra jornalistas colocam em risco esse essencial direito humano.
A FENAJ e Sindicato dos Jornalistas do Estado do Pará esperam das autoridades públicas uma adequada apuração dos fatos e adoção de iniciativas que impeçam que tais acontecimentos inaceitáveis se repitam e que, em particular, esta agressão bárbara não fique impune.

Respeitosamente,

Sérgio Murillo de Andrade
Presidente