Dia do Trabalhador e Dia da Liberdade de Imprensa: datas para reafirmar as lutas dos jornalistas

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Neste período em que se marca a passagem de datas tão importantes para a sociedade – Dia do Trabalhador (1º/5) e Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3/5) –, os jornalistas brasileiros merecem muitas saudações. Afinal, nossa categoria tem estado na linha de frente de lutas emblemáticas dos trabalhadores e pela liberdade de imprensa, um direito fundamental para a construção da democracia.

Na mesma perspectiva de todos os trabalhadores, lutamos por melhores salários, relações e condições de trabalho e por uma vida mais digna. Mais recentemente, enfrentamos a crise econômica mundial, conscientes de que não foi fabricada pelos trabalhadores e de que não compete a nenhum de nós geri-la. Nos últimos meses, mais de 200 jornalistas perderam o emprego. Por isso, como jornalistas, denunciamos a alternativa patronal de repassar o ônus da crise para a classe trabalhadora. E, ao mesmo tempo, como os demais trabalhadores, seguimos firmes na luta contra o arrocho salarial, as demissões, a precarização.

Como categoria de profissão regulamentada, cotidianamente construímos e defendemos nossa identidade e valorização profissionais, sempre lutando contra as tentativas de desregulamentação e desorganização que ameaçam não somente os jornalistas, mas todas as profissões. No momento, nossa regulamentação, que já tem mais de 70 anos, está ameaçada em um dos seus pilares, o da obrigatoriedade de formação universitária em Jornalismo para o exercício da profissão. Uma conquista histórica dos jornalistas e da sociedade, que modificou profundamente a qualidade da imprensa brasileira. E não podemos deixar de denunciar: partiu dos patrões a ameaça de derrubada de uma conquista tão fundamental não só para a nossa categoria, mas principalmente para a democracia do País. Na condição de profissionais, também lutamos pela criação do Conselho Federal de Jornalistas. Assim como as demais profissões organizadas e regulamentadas, temos o direito a um conselho.

E, como jornalistas, trabalhadores e cidadãos, temos participado destacadamente nas lutas em defesa da democracia na comunicação e liberdade de expressão e de imprensa. Nesse campo, é nossa preocupação, neste momento, assegurar a realização da Conferência Nacional de Comunicação, transformando-a em uma conquista social e espaço inédito de debate e elaboração de políticas públicas e democráticas de comunicação. Como também é importante exigir do Congresso Nacional a imediata votação de uma nova e democrática Lei de Imprensa que substitua o texto revogado pelo Supremo Tribunal Federal, protegendo o princípio da liberdade de imprensa associado a salvaguardas para a profissão e assegurando direitos e garantias à cidadania.

Em todas essas lutas, sofremos derrotas, mas também acumulamos muitas conquistas. E o mais importante: seguimos sempre firmes, cada vez mais organizados e dignificando nossa profissão.

Por isso, neste Dia do Trabalhador (1º/5) e no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3/5), saudamos os jornalistas brasileiros e seus 31 Sindicatos filiados à FENAJ. Saudamos os trabalhadores do País e a sociedade, todos que não se cansam de lutar e defender a democracia no Jornalismo, na Comunicação, no Brasil.

Brasília, 1º de maio de 2009.

Diretoria da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas