Em Pernambuco, patrões reafirmam proposta para acabar com exigência do diploma

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Prossegue o impasse na campanha salarial dos jornalistas de Pernambuco. Sem novas propostas, os patrões insistem em tentar derrubar a cláusula da categoria que exige o diploma e o registro de jornalista para o exercício da profissão. Também no Paraná persiste a intransigência dos representantes das empresas. Veja, também, informações sobre as penalidades aplicadas pela Comissão de Ética do Sindicato do Rio Grande do Sul a dirigentes da Fundação Piratini e sobre o projeto que tramita no Congresso Nacional prevendo seguro para jornalista em áreas de conflito.

No dia 21 de outubro os empresários de comunicação de Pernambuco foram para a negociação com os representantes dos jornalistas sem nada para apresentar. A única “novidade” foi a sugestão de um texto alternativo para se contrapor à cláusula da categoria que exige a formação em Jornalismo e o registro profissional. O texto proposto diz que “… As empresas se comprometem a contratar PREFERENCIALMENTE profissionais formados em Jornalismo…”. Para os representantes do Sindicato dos Jornalistas, tal proposta é uma confissão indireta do principal objetivo patronal nesta campanha salarial: querer que o Sindicato aceite que as empresas contratem quem elas quiserem para ser jornalista.

“A proposta foi recebida como uma provocação patronal. A bancada sindical reafirmou que não haverá negociação sobre a dignidade da categoria. Este é o real interesse que as empresas de comunicação não confessam nos artigos que publicam atacando o diploma em Jornalismo: ter a chance de precarizar o
trabalho, reduzir o nível de formação dos jornalistas e reduzir assim a média salarial nas redações” sustenta o Sindicato em matéria onde divulga os resultados da negociação. A retomada das conversações está agendada para o dia 4 de novembro.

No Paraná patrões não apresentam contraproposta
Nova rodada de negociações entre os jornalistas e as empresas de comunicação do Paraná ocorreu no dia 22 de outubro, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). Fora da SRTE cerca de 40 pessoas entre jornalistas, estudantes, autoridades e membros dos movimentos sociais e de outras categorias, prestavam solidariedade e demonstravam seu repúdio aos ataques contra direitos já garantidos na convenção coletiva dos jornalistas do Paraná. Mas mesmo após mais de 2 meses da entrega das reivindicações dos trabalhadores, os patrões não apresentaram contraproposta. Comprometeram-se apenas em avaliar a possibilidade de manutenção da Convenção Coletiva de Trabalho, com o repasse da inflação dos últimos 12 meses, medida pelo INPC/IBGE (cerca de 4,45%). Nova negociação está marcada para 3 de novembro.

Comissão de ética do RS penaliza dirigentes da Fundação Piratini
A Comissão Estadual de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul aplicou a pena de advertência ao presidente da Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura), jornalista Ricardo Azeredo, e de suspensão temporária por um período de seis meses ao diretor de Programação da emissora, jornalista Pedro Macedo, nos termos do Código de Ética da categoria. Decorridos todos os prazos e superadas as instâncias de recursos do processo, iniciado há aproximadamente um ano, a decisão foi tomada pública atendendo à recomendação do Código de Ética. A punição deve-se à representação feita pela jornalista Elisabete Lacerda, funcionária da Fundação, de que, além de praticarem assédio moral, os dirigentes censuram matéria produzida por ela sobre a saída da então secretária Estadual de Transparência, Mercedes Rodrigues, que se demitiu após três meses no cargo.

Comissão aprova projeto que prevê seguro para jornalista em áreas de conflito
O Projeto de Lei nº 5.177/05, do deputado Celso Russomanno (PP-SP), que obriga as empresas jornalísticas a contratar seguro de vida, com cobertura nos casos de riscos de morte e invalidez, para jornalistas profissionais que atuam ou forem transferidos para áreas de conflito, foi aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. O valor do seguro, no entanto, foi reduzido dos mil salários mínimos (R$ 465 mil), previsto no projeto original, para 250 salários mínimos (R$ 116.250, em valores atuais). O projeto ainda será apreciado pelas Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.