Empresas de comunicação insistem em pagar baixos salários

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É constrangedor! Nas propagandas de jornais, rádios e TVs, o mês de dezembro é recheado de imagens de um Papai Noel bonachão, oferecendo promoções imperdíveis e desejando “Feliz Natal” a todos. Nas campanhas salariais dos jornalistas, no entanto, o espírito natalino não sensibiliza os donos dos veículos de comunicação. Suas “ofertas”, via de regra, são baixos salários e condições de trabalho, como se pode observar nas negociações no Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

No Ceará a intransigência patronal em responder mais satisfatoriamente às reivindicações dos jornalistas que atuam no segmento de impressos se manteve intacta na décima rodada de negociação, dia 3 de dezembro, na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. A categoria reivindica a unificação do piso salarial com o do segmento de Rádio e TV R$ 1.910,01). E para isso propôs aumentos parcelados nos meses de setembro de 2013, março e junho de 2014. O representante do Sindicato de Jornais e Revistas, no entanto, manteve a proposta já apresentada anteriormente de 8,02% para correção do piso, com 7% para os demais salários. Sem acordo, nova rodada de negociação foi marcada para o dia 13 de janeiro de 2014.

Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde o Grupo RBS exerce grande influência sobre a postura patronal nas negociações, houve reuniões nos dias 4 e 6 de dezembro, respectivamente. Após longo silêncio, o Sindicato das Empresas de Jornais e Revistas de SC propôs a elevação do piso salarial para R$ 1.740,00 (INPC de 7,16% mais aumento de 1,5%) a partir de janeiro de 2014. Mas o Sindicato dos Jornalistas considerou a proposta insuficiente, tendo em vista que a data base da categoria é maio, e contrapropôs a definição do piso para R$ 1.730,00 retroativo a maio, com atualização para R$ 1.800,00 a partir de janeiro. Nova rodada de negociações deve ocorrer até a próxima quarta-feira (11).

O Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul convocou assembleia da categoria para este sábado (7), às 14h, no auditório da Associação de Cronistas Esportivos Gaúchos (Aceg), quando será conhecida e analisada a contraproposta apresentada pelos sindicatos das empresas de Rádio e TV e de jornais, que agora propõem aumento real.

Em assembléia realizada no Sindicato dos Radialistas no dia 27 de novembro, os jornalistas de Pernambuco rejeitaram a proposta patronal de 7% de reajuste condicionados à retirada de todos os itens da pauta de reivindicações, inclusive a implantação de um piso salarial para a categoria. A decisão da assembleia ratificou a luta pelo piso, pois a média salarial está caindo, com a redução do salário inicial. 

Segundo o Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, a falta de um piso vem fazendo com que jornalistas ganhem abaixo de mil reais, como é o caso, no Recife, do Sistema Folha de Pernambuco, do grupo Eduardo Monteiro, cujo salário base é de R$ 980,00. A entidade registra que a situação é ainda mais difícil no interior do Estado, onde a TV Grande Rio, afiliada da Rede Globo, remunera seus profissionais com salário base de R$ 850,00.