O Balanço das Negociações dos Reajustes Salariais no Primeiro Semestre de 2009, feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indicou que 93% das correções salariais de categorias de trabalhadores foram iguais ou superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora os efeitos da crise econômica mundial não tenham afetado as negociações da maioria dos trabalhadores, os empresários de comunicação insistem em usá-la como argumento para impedir melhorias salariais e de condições de trabalho aos jornalistas.
O levantamento feito pelo Dieese, com base no seu Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS), se deu por intermédio da análise de acordos ou convenções coletivas de trabalho de 245 categoriais. Do total, em 77% das negociações houve ganhos superiores ao INPC-IBGE. O desempenho negocial foi comparativamente melhor do que o verificado em 2008 em praticamente todos os quesitos.
Apenas 7,3% de um total de 18 categorias mantiveram-se com salários abaixo do INPC-IBGE. Ainda assim, o quadro indica melhora nas condições, porque, em 2008, eram 13,1%, atingindo 32 categorias. A situação mais desfavorável foi constatada na indústria, área mais afetada pela crise financeira internacional. Nesse caso, aumentou a parcela de trabalhadores com reajustes salariais abaixo da inflação, passando de 6,2% para 9,3%. A maioria de um total de 98 segmentos da indústria (58,2%) obteve ganhos ligeiramente acima, ficando entre 0,01% e 1%, seguida dos que conquistaram reajustes em níveis entre 1,01% e 2%, caso de 19,4% dos empregados do setor.
A mudança mais significativa ocorreu no setor de serviços, com 72% das negociações realizadas por 116 sindicatos resultando em incorporação de aumentos reais. A maioria, no entanto, ainda se manteve na faixa até 1%.
A despeito deste quadro, em vários Estados onde os jornalistas têm suas datas-base no primeiro semestre, as negociações ainda não foram concluídas. Intransigentes, os empresários de comunicação dificultam as negociações, mesmo sendo públicas as informações de que o setor teve excelente desempenho econômico no ano passado, como o crescimento de 12,83% no faturamento publicitário, e não foi fortemente atingido pelos efeitos da crise que eclodiu em setembro de 2008.
Em SP, proposta patronal não é satisfatória
Exemplo dessa mesquinharia é a negociação em São Paulo do segmento de jornais e revistas. Apesar de ter apresentado, nesta segunda-feira (24/8) – quase três meses depois da data-base (1º/6) –, nova contraproposta com a correção dos salários pela inflação do INPC (5,45%) para uma parte dos jornalistas, mantendo para os demais a proposta de reajuste parcelado em duas vezes (3% em 1º/6 e 2,38% em 1º/12), que significa perdas salariais. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo mantém a reivindicação de correção de 100% da inflação para todos, retroativa a 1º/6, e quer negociar um aumento real. A entidade espera uma nova contraproposta antes da nova rodada de assembleias gerais, dia 1º/9, na capital, às 11h e às 19h30 (Rua Rego Freitas, 530, sobreloja); e no Interior/Litoral, ao meio-dia, nas respectivas Regionais do Sindicato e nas redações.





