Estudo sobre saúde mental dos jornalistas será apresentado ao Conselho de Comunicação do Congresso Nacional

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Pesquisa realizada pela Fundacentro, em parceria com a FENAJ, apresenta diagnóstico sobre condições de trabalho, saúde mental, assédio e riscos psicossociais enfrentados pela categoria

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) apresenta, na próxima segunda-feira (14/09), ao Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS), os resultados do estudo “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil”. A apresentação ocorrerá durante a 15ª reunião ordinária do colegiado, a partir das 14h, no Plenário 7 do Senado Federal.

O estudo será apresentado pelo secretário-adjunto de Saúde e Segurança da FENAJ, Norian Segatto, e pela analista em Ciência e Tecnologia e jornalista da Fundacentro, Cristiane Oliveira Reimberg, que atua na área de Comunicação Institucional da Fundação. A participação de ambos permitirá ao Conselho conhecer os principais resultados da pesquisa e discutir seus impactos para as condições de trabalho e a saúde da categoria.

A pesquisa foi realizada pela Fundacentro, em parceria com a FENAJ, e contou com a participação de 257 jornalistas brasileiros. O levantamento buscou traçar um diagnóstico das condições de trabalho e da saúde mental dos profissionais, investigando aspectos como estresse, ansiedade, depressão, insônia, capacidade para o trabalho, satisfação profissional, assédio moral, cyberbullying, consumo de álcool e percepção de demanda, controle e apoio social no ambiente de trabalho.

Para a presidenta da FENAJ e conselheira do CCS, Samira de Castro, o adoecimento mental não pode ser tratado como uma questão individual dos trabalhadores. “As evidências apontam para a necessidade de olhar para a organização e as condições de trabalho, incluindo jornadas, pressão por produtividade, assédio, autonomia profissional, relações hierárquicas e violência digital”, afirma.

Saúde mental e NR-1

A apresentação ao Conselho de Comunicação Social ocorre em um momento particularmente importante para o debate sobre saúde e segurança no trabalho. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) amplia a atenção aos riscos psicossociais relacionados à organização do trabalho, tornando ainda mais necessário que empresas e trabalhadores discutam mecanismos de prevenção e enfrentamento do adoecimento.

Nesse contexto, de acordo com Norian Segatto, os dados da pesquisa podem contribuir para a formulação de políticas sindicais e para a negociação coletiva de medidas concretas de prevenção aos riscos psicossociais no jornalismo. “O diagnóstico também oferece elementos para o debate sobre a responsabilidade das empresas de comunicação na construção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis”, comenta.

A realização da pesquisa integra uma trajetória de aproximação entre a FENAJ e a Fundacentro em torno da saúde dos jornalistas. A própria Cristiane Reimberg possui uma trajetória de pesquisa dedicada às condições de trabalho e à saúde mental na profissão. Em 2015, defendeu tese de doutorado sobre sofrimento e prazer no trabalho jornalístico e, posteriormente, participou de diferentes estudos e debates sobre o tema.

Em 2024, FENAJ e Fundacentro já haviam apresentado conjuntamente o projeto da pesquisa sobre condições de saúde mental dos jornalistas, reunindo pesquisadores, representantes sindicais e especialistas para discutir os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a categoria.

A apresentação no Conselho de Comunicação Social representa, portanto, mais um passo para dar visibilidade nacional ao problema e inserir a saúde mental dos jornalistas na agenda das políticas públicas, das relações de trabalho e da atuação sindical.

Serviço

Apresentação do estudo “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil”
Data: 14 de setembro
Horário: a partir das 14h
Local: Plenário 7 – Senado Federal – Conselho de Comunicação Social do Congresso
Apresentadores: Norian Segatto, secretário-adjunto de Saúde e Segurança da FENAJ, e Cristiane Oliveira Reimberg, analista em Ciência e Tecnologia e jornalista da Fundacentro.