EUA: Multidão violenta ataca a imprensa durante invasão do Capitólio

Manifestantes violentos marcaram e atacaram profissionais da imprensa durante a invasão ao Capitólio dos Estados Unidos da América, em Washington. A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) e suas afiliadas norte-americanas lamentam os bárbaros ataques contra jornalistas e se solidarizam com os trabalhadores que protegem o direito dos cidadãos de saber o que acontece.

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Tradução de matéria da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

Apoiadores do presidente dos EUA Donald Trump próximos aos equipamentos de imprensa que destruíram durante protestos em 6 de janeiro de 2020, do lado de fora do Capitólio, em Washington. Crédito: Agnes BUN / AFP

Uma multidão violenta agrediu profissionais de imprensa que faziam a cobertura do ataque ao Capitólio dos EUA durante a certificação da eleição para presidente, cometido por apoiadores do presidente em fim de mandato Donald Trump.

Os agressores destruíram os equipamentos de mídia, fizeram uma forca com cabos de câmeras, e as penduraram em uma árvore enquanto gritavam frases como “saiam daqui” e “nós somos a notícia agora”.

Um porta-voz da Associated Press confirmou que os equipamentos da agência foram roubados e destruídos, acrescentando que nenhum de seus funcionários foi ferido.

Um jornalista da CBS News noticiou que um manifestante disse a ele que agentes de segurança não protegeriam jornalistas, e denunciou a falta de segurança. “Não havia policiais a nossa volta, nós estávamos por conta própria. Nós saímos correndo de lá.” Ele descreveu a multidão como “absolutamente, ferozmente agressiva com a imprensa”.

Enquanto jornalistas do lado de fora do Capitólio foram ameaçados e cercados, trabalhadores da imprensa do lado de dentro foram forçados a se abrigarem por horas em locais seguros, quando manifestantes violentos entraram no prédio. Um deles escreveu “mate a imprensa” em uma porta dentro do Capitólio.

Mais incidentes contra trabalhadores da imprensa foram reportados no Canadá, onde um fotojornalista da CBC News foi agredido em uma manifestação pró-Trump em Vancouver, de acordo com a mídia.

O NewsGuild, sindicato afiliado da FIJ, convocou seus membros que cobriam os desdobramentos dos eventos na capital a se manterem em segurança e permanecerem em comunicação com eles, e ofereceram qualquer tipo de apoio que fosse necessário.

O presidente do NewsGuild, Jon Schleuss, disse: “Isso é uma vergonha absoluta para nosso país. Meus sentimentos estão com todos os incríveis jornalistas que fazem a cobertura neste momento. Fiquem seguros, pelo amor de Deus, vocês são nossa luz. Nós somente somos um povo livre e informado por causa de nossa imprensa livre.”

O presidente do Sindicato Nacional dos Escritores, Larry Goldbetter, disse: “Não é mera coincidência que as tropas racistas que atacaram uma eleição em que participaram 160 milhões de pessoas, também tenham atacado trabalhadores da imprensa. Eleições livres e imprensa livre são duas fundações de uma sociedade democrática. Trump e seus fãs terroristas são violentamente opostos a ambas. O pior é que eles fizeram o que queriam o dia inteiro, enquanto dezens de milhares de manifestantes contra a violência policial racista foram presos durante o verão.

A federação sindical SAG-AFTRA disse: “Como sindicato e organização democrática, nós estamos chocados com esse ataque aos valores que consideramos mais sagrados. As vergonhosas cenas da capital da nação minaram as instituições dos EUA e sua posição no mundo. Exibições da bandeira Confederada e de outros símbolos da supremacia branca e de ódio tinham o objetivo de subjugar e aterrorizar pessoas de cor e de certas convicções. Esse veneno ataca os diversos membros de nosso sindicato e do movimento dos trabalhadores.”

O secretário geral da FIK, Anthony Bellanger, disse:

“Nós estamos horrorizados pelos ataques violentos contra os trabalhadores da imprensa que estavam apenas fazendo seu trabalho. Esse é o resultado final de um longo processo de demonização e narrativa de ódio contra a imprensa dos Estados Unidos por Donald Trump. Nós nos solidarizamos com nossos colegas norte-americanos. Vocês não estão sozinhos”.


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