EUA: FIJ exige o fim de ataques deliberados contra jornalistas

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Tradução de artigo da Federação Internacional de Jornalistas, de 1º de Junho de 2020. Original em inglês aqui:

A Federação Internacional dos Jornalistas exigiu o fim da prática deliberada, ultrajante e sistemática de alvejar jornalistas que estão cobrindo protestos nos Estados Unidos, à medida em que o número de feridos, baleados, agredidos e presos segue crescendo. Junto a sindicatos de jornalistas ao redor do mundo, a FIJ acusa as autoridades estadunidenses de grosseira censura e uso excessivo da força em uma tentativa de impedir que jornalistas examinassem as responsabilidades da polícia ao movimento de protesto que varreu os Estados Unidos na esteira do assassinato de George Floyd.

Manifestantes e profissionais de mídia correm para se proteger quando a polícia começa a atirar gás lacrimogêneo e balas de borracha próximo ao 5º distrito policial após um ato pedindo justiça para George Floyd, um homem negro que morreu quando estava sob custódia da polícia de Mineápolis, em 30 de Maio de 2020, no estado de Minnesota. Confrontos vieram à tona e cidades maiores decretaram toque de recolher quando os Estados Unidos iniciaram outra noite de distúrbios no sábado, com manifestantes irritados ignorando os alertas do presidente Donald Trump de que seu governo iria “interromper completamente” os protestos violentos contra a brutalidade policial. CHANDAN KHANA/AFP

Dezenas de ataques a jornalistas foram registrados em 4 dias de protestos, incluindo muitos na conta de agentes de segurança.

Dois jornalistas perderam um olho cada, e outros foram atingidos com tiros, spray de pimenta, e presos.

Linda Tirado, uma jornalista freelancer e mãe de dois filhos, ficou cega de um olho após ser atingida por uma bala de borracha ou projétil marcador em um protesto em Mineápolis na sexta, enquanto fotografava o ato.

Em Mineápolis, no sábado, repórteres e fotojornalistas, claramente identificáveis, foram expulsos pela polícia e obrigados a correr para sua segurança. Uma repórter relatou ter sido atingida no braço.

Em um segundo incidente em Mineápolis, uma equipe da rede Nine foi detida à mão armada pela polícia. Enquanto se aproximavam de carro de um bloqueio, um policial sacou uma arma e ordenou que saíssem do veículo. Eles foram revistados, um membro da equipe foi algemado e então, depois que apresentaram suas credenciais de mídia, eles foram liberados.

Um repórter da CNN e sua equipe foram presos ao vivo, apesar de se identificarem claramente como jornalistas, e mostrarem credenciais de imprensa.

Um fotógrafo britânico, Adam Gray, foi preso em Nova Iorque e colocado em uma cela com 70 outros detidos, apesar de exibir claramente suas credenciais de imprensa.

Incidentes gravados mostram a polícia deliberadamente mirando a mídia. Trabalhadores da imprensa, claramente identificáveis, foram alvejados com vários tipos de munições.

Em Mineápolis, quatro membros de uma equipe de notícias foram presos depois que a polícia do estado disse que precisaria confirmar se eles eram “membros da mídia”. A equipe estava ao vivo naquele momento, usando sua câmera e microfone, e os jornalistas tinham suas credenciais à vista.

Em Chicago, um repórter e sua equipe foram obrigados a deitar ao chão depois de se identificarem meia dúzia de vezes como imprensa e mostrarem suas credenciais de mídia. Tendo cumprido as ordens da policia, e ainda deitados, um policial atirou spray de pimenta no rosto do repórter.

Jornalistas foram feridos em Nova Iorque, Chicago, Washington DC, Mineápolis, Pittsburgh, Los Angeles, Filadélfia, San Diego, Detroit e Denver.

Manifestantes também têm jornalistas como alvo

Uma pessoa agrediu uma repórter e tentou tomar seu microfone enquanto ela estava ao vivo. Em Washington DC, uma equipe de notícias foi obrigada a fugir depois que uma multidão descobriu a rede de notícias para quem trabalhava.

Em Atlanta, a sede da CNN foi fisicamente atacada por uma grande multidão.

O secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger, disse: “Do presidente às autoridades de segurança, é preciso parar a violência deliberada contra jornalistas. O ódio à mídia tem consequências e nós estamos testemunhando o resultado – jornalistas alvejados, permanentemente incapacitados, obrigados a fugir, sendo presos e agredidos. As autoridades, desesperadas para evitar o escrutínio legítimo, começaram a ameaçar e atirar no mensageiro.
“Essa guerra contra a liberdade de imprensa e os direitos dos jornalistas deve acabar. Aqueles que têm os jornalistas como alvo e os atacam devem ser responsabilizados.”