Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF encaminharam ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta, solicitando providências urgentes para garantir a liberdade de imprensa e a segurança de jornalistas, especialmente mulheres, nas dependências da Casa.
O documento também é assinado pelo Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF e pela Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ e denuncia um grave episódio de violência, intimidação e cerceamento do exercício profissional sofrido pela jornalista Manuela Borges, do ICL Notícias, ocorrido no dia 24 de fevereiro de 2026, no Salão Verde da Câmara.
De acordo com o relato das entidades, a jornalista foi cercada e hostilizada por um grupo numeroso de servidores de gabinetes parlamentares após fazer questionamentos de interesse público a parlamentares do Partido Liberal (PL). A situação incluiu gritos, intimidação física, gravações invasivas com celulares posicionados em seu rosto e a tentativa direta de impedir o exercício da atividade jornalística, configurando uma grave violação à liberdade de imprensa.
As entidades destacam ainda que o episódio apresenta claros contornos de violência de gênero, uma vez que a repórter relatou ter sido fisicamente oprimida e submetida a um cerco agressivo, prática que busca silenciar mulheres jornalistas e constranger sua atuação nos espaços institucionais de poder.
Outro ponto de preocupação registrado no ofício é a ausência de intervenção imediata da Polícia Legislativa, mesmo diante da gravidade da situação, o que reforça a necessidade de revisão e fortalecimento dos protocolos de proteção à imprensa no Congresso Nacional.
No documento encaminhado ao presidente da Câmara, a FENAJ e o SJPDF solicitam a apuração administrativa dos fatos, com identificação dos envolvidos; a responsabilização administrativa e legal dos autores das agressões; a adoção de medidas institucionais e de segurança para assegurar o livre exercício do jornalismo; e a implementação de protocolos específicos de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres jornalistas.
Para as entidades, ataques à imprensa representam ataques diretos à democracia. “Jornalismo só pode ser exercido em liberdade, especialmente dentro da Casa do Povo”, afirmam, reforçando que não aceitarão a intimidação como método político e colocando-se à disposição para contribuir na construção de um ambiente institucional seguro, democrático e respeitoso.





