Federação recomenda plantões sindicais, medidas preventivas junto às empresas e protocolos de proteção para profissionais que atuarão na cobertura eleitoral
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) orienta os Sindicatos de Jornalistas filiados a reforçarem as ações de proteção e apoio aos profissionais que atuarão na cobertura das eleições gerais de 2026. As recomendações constam de uma carta circular, encaminhada às entidades sindicais, com atenção especial ao primeiro turno, em 4 de outubro.
A Federação destaca a necessidade de atuação preventiva dos sindicatos e das empresas jornalísticas diante dos riscos de agressões e ameaças contra profissionais durante a cobertura eleitoral.
Sindicatos devem manter equipes de plantão
A FENAJ recomenda que os sindicatos disponibilizem equipes de plantão para atender jornalistas que enfrentarem situações de ameaça, agressão ou risco durante o exercício profissional.
Também orienta as entidades a encaminharem ofícios às empresas jornalísticas, alertando sobre os riscos de violência por parte de eleitores, políticos e forças policiais.
Entre as medidas de proteção que devem ser solicitadas estão o envio de equipes completas aos locais de votação e de concentração de eleitores, como comitês, sedes partidárias e locais de comemoração pública.
As empresas também devem ser orientadas a disponibilizar assessoria jurídica para as equipes em campo e a autorizar a retirada imediata de jornalistas de uma pauta sempre que houver situação de perigo.
Prevenção e diálogo com o Ministério Público do Trabalho
Outra orientação da FENAJ é que os sindicatos solicitem ao Ministério Público do Trabalho (MPT) o envio de notificação recomendatória aos veículos jornalísticos.
O documento deverá orientar as empresas sobre medidas de segurança a serem adotadas durante a cobertura eleitoral e solicitar informações sobre as providências implementadas para proteger os trabalhadores.
A Federação recomenda ainda que casos de ameaças prévias contra jornalistas ou veículos de comunicação sejam comunicados às autoridades competentes, como as Secretarias de Segurança Pública e o Ministério Público Estadual.
Informação também é uma ferramenta de proteção
A FENAJ orienta os sindicatos a divulgarem amplamente entre a categoria os materiais produzidos para orientar jornalistas em situações de risco.
Entre eles está o “Guia de Proteção a Jornalistas em Coberturas de Risco”, elaborado pela Secretaria de Saúde e Segurança da FENAJ.
Também deve ser divulgado o guia “Como agir diante da violência contra jornalistas e comunicadores em período eleitoral”, produzido no âmbito do Observatório de Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, com participação ativa da FENAJ.
A entidade recomenda ainda a divulgação da cartilha do Observatório que apresenta o passo a passo para realização de denúncias por meio do Fala.BR.
Mulheres jornalistas exigem atenção específica
A orientação da FENAJ destaca também a necessidade de atenção às mulheres jornalistas que cobrem ou participam da política partidária, considerando os riscos de violência e ataques tanto no ambiente profissional quanto nas redes sociais.
Os sindicatos são orientados a divulgar materiais específicos sobre violência política de gênero e raça, além de conteúdos que auxiliem jornalistas a enfrentar ataques virtuais e a ação de trolls.
Em caso de agressão, registre e comunique
A FENAJ orienta os trabalhadores e trabalhadoras que forem vítimas de agressões a registrar Boletim de Ocorrência e comunicar imediatamente o fato às chefias e ao Sindicato.
A recomendação faz parte de uma estratégia de registro e monitoramento dos episódios de violência contra jornalistas durante o período eleitoral.
FENAJ monitora casos de violência
Por meio da Coalizão em Defesa do Jornalismo, a FENAJ está monitorando casos de violência cometidos contra jornalistas no ambiente offline que tenham como motivação o trabalho jornalístico realizado durante as eleições de 2026.
Os sindicatos devem encaminhar semanalmente à Federação, quando houver ocorrências, um breve relato contendo:
- nome da vítima ou das vítimas;
- veículo para o qual trabalham;
- função exercida;
- relato do caso;
- identificação do agressor ou dos agressores;
- providências adotadas.
Quando o Sindicato publicar manifestação oficial sobre um caso, a FENAJ solicita que a nota também seja encaminhada à Federação para avaliação da Diretoria Executiva e eventual assinatura conjunta.
“A proteção dos jornalistas é uma condição para o exercício do jornalismo e para o direito da sociedade à informação. Em um período de intensa disputa política, precisamos fortalecer a prevenção, a organização sindical e os mecanismos de resposta a qualquer forma de violência contra profissionais que estejam cumprindo sua função.”
Samira de Castro Cunha
Presidenta da FENAJ
O secretário-adjunto de Saúde e Segurança da FENAJ, Norian Segatto, reforça que a prevenção deve começar antes da ida das equipes às ruas, com planejamento, avaliação dos riscos, definição de protocolos e garantia de condições para que os profissionais possam interromper uma cobertura sempre que sua integridade estiver ameaçada.
ORIENTAÇÕES E CONTATOS
📌 Para os Sindicatos
Mantenha plantão sindical durante o período eleitoral para atendimento aos jornalistas.
📌 Em caso de violência
Registre Boletim de Ocorrência e comunique a chefia e o Sindicato.
📌 Para comunicar casos à FENAJ
Envie os relatos para fenaj@fenaj.org.br, com nome da vítima, veículo, função, descrição do caso, identificação do agressor e providências adotadas.
📌 Materiais de proteção
- Guia de Proteção a Jornalistas em Coberturas de Risco– FENAJ
- Como agir diante da violência contra jornalistas e comunicadores em período eleitoral– Observatório de Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais
- Cartilha sobre denúncias pelo Fala.BR
- Cartilha para enfrentamento da violência política de gênero e raça – Redes Cordiais
- Falando sobre ataques online e trolls– Redes Cordiais






