FENAJ propõe que fundo financie a diversidade no jornalismo

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A segunda etapa do seminário “Jornalismo, Sim!” na região Sul debateu, nesta terça-feira (27/07), a proposta do Fundo de Apoio e Fomento ao Jornalismo, experiências internacionais e novas formas de organização do trabalho jornalístico.

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Maria José Braga, explicou a proposta da criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), “um tributo especial que não está diretamente vinculado a arrecadação do Estado e pode ter uma destinação específica”.

A proposta da Federação é que esta contribuição seja voltada a criação do Fundo de Fomento ao Jornalismo.

A FENAJ propõe que o Fundo deva apoiar a interiorização do jornalismo, o fomento ao trabalho de jornalistas mulheres, negros e indígenas, além de jovens jornalistas. Um Conselho Gestor do Fundo deve ser formado por representantes do governo, empresas, jornalistas, pela academia e representantes da sociedade civil.

A pesquisadora Elizabeth Lacerda relatou sobre a experiência de taxação das mídias digitais na Austrália, país em que é correspondente desde 2011. Em 2020, o governo determinou a criação de um código de conduta, que levou até a ameaça do Google de sair do país.

No processo de aprovação do código de conduta, em fevereiro de 2021, o Facebook bloqueou todo conteúdo jornalístico de suas redes na Austrália. Com a aprovação do texto final em março, após a negociação com as empresas, o Facebook retomou a veiculação de textos jornalísticos no país. “No dia da aprovação, o governo procurou o Facebook para negociar o código, o que foi chocante”, afirmou a Elizabeth.

A lei obriga as plataformas a fazerem acordos com os veículos para pagamento pela veiculação de conteúdo e obriga os grandes monopólios digitais a investirem em conteúdo local. “As mídias regionais foram as maiores prejudicadas por não ter poder de barganha. Além de não ter a garantia que os recursos serão usados para jornalismo de interesse público”, disse a pesquisadora.

Rafael Grohmann, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), alertou da preocupação com uma dependência que a produção jornalística possa ter com as grandes plataformas.

O pesquisador destacou como a criação de cooperativas e experiências de autogestão podem ser instrumentos para valorização dos trabalhadores. Rafael reforçou que é preciso repensar a cultura de uso das plataformas, de como os softwares livres podem ser parceiros no desenvolvimento dessas iniciativas coletivas de jornalistas.

Grohmann relatou experiências de cooperativas de fotógrafos, que desafia os grandes bancos de imagem, além de plataformas de streaming alternativas que fomentam produção audiovisual independente.

“É preciso pensar de que maneira podemos prefigurar outros mundos possíveis do jornalismo e com jornalismo, a partir de noção de trabalho descente nesse contexto de plataformização do trabalho jornalístico”, disse o professor.

Nesta quarta-feira (28/07), ocorre a etapa regional do Seminário “Jornalismo, Sim!” para a região Sudeste. Na quinta (29/07), será a vez da região Centro-Oeste. O debate da Região Nordeste acontecerá no dia 3 de agosto. As inscrições podem ser feitas AQUI.

Outros cinco seminários, em cada uma das regiões do país, serão realizados com representantes da sociedade civil organizada ainda no mês de agosto.